Lição 8: O conselho de Jeremias aos reis

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS
4º Trimestre de 2025
Título: Exortação, arrependimento e esperança — O ministério profético de Jeremias
Autor: Elias Torralbo
Comentário: Palavra Forte de Deus
Data: 23 de novembro de 2025
TEXTO PRINCIPAL
“Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do SENHOR permanecerá.” (Pv 19.21).
Comentário da Palavra Forte de Deus
Este versículo, oriundo do Livro da Sabedoria, atua como uma poderosa lente de avaliação sobre o ministério profético de Jeremias aos reis de Judá, como Jeoaquim e Zedequias. Em outras palavras, ele captura o conflito eterno entre a vontade humana e a soberania divina. O profeta Jeremias passou a vida vendo os reis agirem com base em seus próprios planos míopes, confiando em alianças políticas falhas em vez da Palavra de Deus.
Ademais, a palavra-chave é “permanecerá”. Esta declaração de imutabilidade é a garantia teológica de que, independentemente da arrogância e da insensatez dos reis em Jerusalém, o plano final de Deus para a história e para a Nova Aliança jamais seria frustrado. A escolha do homem pode levá-lo à destruição pessoal e nacional, mas a aliança incondicional de Deus se manifestará, nem que seja por meio do juízo.
Assim, o Texto Principal nos ensina uma lição perene sobre a futilidade da autossuficiência. Você deve compreender que a sua vida só encontrará segurança e direção quando alinhar os seus “propósitos do coração” (suas metas, seus sonhos) ao “conselho do SENHOR” (Sua Palavra, Sua vontade). A sabedoria não está em ter muitos planos, mas em escolher o único que é eterno. Por isso, você deve confiar que o projeto de Deus é o único que terá sucesso em sua história.
RESUMO DA LIÇÃO
À semelhança de alguns reis, o homem que rejeita o conselho divino certamente perecerá.
Comentário da Palavra Forte de Deus
O resumo da lição, embora sombrio, captura a inevitabilidade da lei da semeadura no âmbito da soberania divina. Ao traçar um paralelo entre a tragédia dos reis de Judá (como Jeoaquim) e a “rejeição do homem” hoje, o texto sublinha o princípio de que o conselho divino não é um mero opcional, mas o manual de sobrevivência da alma. A rejeição da Palavra não irrita apenas a Deus; ela inicia um processo de autodestruição, culminando na perda espiritual (“perecerá”).
Portanto, a morte e o cativeiro dos reis atuam como alertas proféticos permanentes sobre a futilidade de tentar governar a própria vida independentemente do Criador. A teologia por trás disso é clara: o homem não possui a sabedoria para guiar seus próprios passos (cf. Jeremias 10:23); tentar fazê-lo é inverter a ordem da criação e garantir o fracasso. A rejeição ao conselho de Deus é o caminho mais rápido para o caos e para a perda do propósito.
Dessa forma, para o crente de hoje, essa verdade deve ser uma âncora de obediência. Você não deve encarar a obediência ao conselho divino como uma restrição à sua liberdade, mas sim como a estrutura protetora que o impede de perecer. A história de Jeoaquim e Zedequias é um espelho; ao vê-los perecer por sua insensatez, você deve ser impulsionado a buscar a Palavra com humildade e a tomar decisões baseadas na sabedoria que permanecerá para sempre.
OBJETIVOS
DESTACAR o ministério profético de Jeremias junto aos reis;
REFLETIR a respeito da vida de Jeoaquim, o rei que rejeitou a Palavra de Deus;
MOSTRAR que Zedequias foi o rei das incertezas.
INTERAÇÃO
Professor(a), aproveite o tema central da lição deste domingo para enfatizar, no decorrer da lição, que ouvir os conselhos divinos e viver de acordo com eles é ter a garantia de uma vida protegida pelo Senhor. Contudo, rejeitá-los, assim como fizeram Jeoaquim e Zedequias, é uma escolha insensata e que trará sérias consequências. O princípio da obediência aos conselhos de Deus serve para todos, indistintamente. A obediência à Palavra de Deus é o caminho para uma vida longa, sossegada e abençoada.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), reproduza a tabela abaixo (adaptada da Bíblia de Estudos Pentecostal, CPAD) no quadro de escrever. A tabela mostra os principais cargos, designados por Deus para apascentar seu povo. Utilize-a para explicar à classe qual era a real missão do rei, do sacerdote e do profeta. Enfatize o fato de que estes não estavam cumprindo com a missão que fora designada a eles por Deus. Agiam de modo irresponsável. Como líderes, eles eram os responsáveis pela degradação espiritual e moral que havia em Judá.
TEXTO BÍBLICO
Jeremias 34.1-6.
1 A palavra que do SENHOR veio a Jeremias, quando Nabucodonosor, rei de babilônia, e todo o seu exército, e todos os reinos da terra, que estavam sob o domínio da sua mão, e todos os povos, pelejavam contra Jerusalém, e contra todas as suas cidades, dizendo:
2 Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Vai, e fala a Zedequias, rei de Judá, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR: Eis que eu entrego esta cidade na mão do rei de babilônia, o qual queimá-la-á a fogo.
3 E tu não escaparás da sua mão, antes certamente serás preso e entregue na sua mão; e teus olhos verão os olhos do rei de babilônia, e ele te falará boca a boca, e entrarás em babilônia.
4 Todavia ouve a palavra do Senhor , ó Zedequias, rei de Judá; assim diz o Senhor acerca de ti: Não morrerás à espada.
5 Em paz morrerás, e conforme as queimas para teus pais, os reis precedentes, que foram antes de ti, assim queimarão para ti, e prantear-te-ão, dizendo: Ah, Senhor! Pois eu disse a palavra, diz o Senhor.
6 E falou Jeremias, o profeta, a Zedequias, rei de Judá, todas estas palavras, em Jerusalém,
COMENTÁRIO DA LIÇÃO
INTRODUÇÃO
Na lição deste domingo, vamos aprender a respeito da resposta negativa dos reis Jeoaquim e Zedequias à Palavra de Deus transmitida por Jeremias. Veremos as terríveis consequências que sofreram em decorrência disso.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A Introdução nos coloca diretamente no cenário político-espiritual de Judá, onde a teimosia da liderança (os reis) se tornou o catalisador da destruição nacional. Jeremias não era apenas um profeta religioso; ele era um conselheiro político, e sua mensagem era clara: a sobrevivência do reino dependia da obediência ao Senhor e não de manobras com o Egito ou a Babilônia. Neste sentido, o “trágico papel” dos reis revela que a desobediência não é um ato privado; ela acelera as consequências do juízo sobre toda a comunidade.
Portanto, o juízo final (a queda de Jerusalém) não foi um ato arbitrário de Deus, mas o resultado direto e lógico da rejeição persistente ao Seu conselho. A teimosia dos reis em acreditar que seus próprios planos eram mais seguros do que a Palavra do SENHOR é a prova cabal da falha humana em reconhecer a soberania divina. A Palavra de Deus (trazida por Jeremias) era o único caminho para o livramento, e a sua rejeição tornou a catástrofe inevitável.
Assim, para o crente, a lição da Introdução é um convite à responsabilidade na liderança, seja ela em casa, no trabalho ou na igreja. Você deve entender que sua teimosia, quando se manifesta na desobediência ao conselho bíblico, afeta não apenas a sua vida, mas também o destino das pessoas sob sua influência. O aprendizado é este: a humildade em aceitar o conselho de Deus é a única barreira contra a aceleração da ruína.
1. UM PROFETA ENTRE OS REIS
1. Jeremias, enviado aos reis.
Deus escolheu e enviou Jeremias como profeta às nações. Ele também seria responsável por transmitir a mensagem divina “sobre os reinos” (v.10). A monarquia foi instituída nos dias de Samuel por apelo do povo (1Sm 8.1-22). Entretanto, desde a época de Moisés, Deus já mostrava que o rei deveria ser escolhido dentro de seus critérios, pois teria a missão de cumprir a Sua vontade (Dt 17.15). Na missão de liderar o povo sob a vontade divina, os reis eram orientados pelos profetas de seus dias.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A designação de Jeremias como profeta “às nações” e “sobre os reinos” sublinha o caráter supra-nacional e soberano de sua vocação. O profeta não era um mero porta-voz local; sua autoridade transcendia as fronteiras políticas de Judá. O foco de sua mensagem nos reis demonstra que a crise espiritual da nação era, primariamente, uma crise de liderança. A monarquia, embora instituída por Deus, estava sendo exercida em oposição direta à Sua vontade.
Ademais, a lição corretamente traça a origem da monarquia até Moisés (Dt 17:15), mostrando que a escolha do rei deveria ocorrer sob critérios divinos. Isso significa que a coroa não concedia autonomia ao líder; ao contrário, exigia a submissão total à Torá e a orientação constante dos profetas. A falha dos reis em cumprir a “Sua vontade” transformou a monarquia, que deveria ser um instrumento da teocracia, em um instrumento de apostasia.
Assim, esta seção nos ensina que a autoridade delegada por Deus nunca é absoluta. Você deve entender que qualquer forma de liderança que você exerça — na igreja, no lar ou no trabalho — exige a submissão contínua ao Conselho Divino. Você não pode se blindar. O fracasso dos reis em Judá é um espelho que o adverte: o papel do líder é cumprir a vontade de Deus, e o profeta (a Palavra) está sempre presente para garantir essa orientação.
2. O preço por profetizar aos reis.
O ministério de Jeremias foi extraordinário, primeiro porque foi chamado por Deus, depois pela mensagem que entregou, pelo contexto histórico no qual estava inserido, pelos efeitos de seu ofício profético e o público a quem foi enviado, composto tanto pelo povo como também pela sua liderança, inclusive os reis de seus dias.
Jeremias é conhecido não somente pelas mensagens que entregou durante o seu ministério, mas também pelo sofrimento que isso lhe causou. Isso se confirma em diversos episódios da trajetória deste profeta, especialmente na ordem divina que o privou de “se casar”, “não lamentar os mortos” e “não ir a banquetes” (Jr 16.2,5,8).
Por entregar a mensagem de Deus ao povo e principalmente aos reis de seu tempo, Jeremias foi perseguido (Jr 36.26), posto em prisão (37.15-21) e lançado numa cisterna (Jr 38.1-6).
Comentário da Palavra Forte de Deus
O ministério de Jeremias é, de fato, extraordinário, mas a lição nos leva a focar no alto preço da fidelidade profética. O sofrimento de Jeremias não foi acidental, mas parte integrante de sua mensagem. A ordem divina de viver uma vida de isolamento simbólico (“não se casar”, “não lamentar os mortos”, Jr 16:2,5,8) transformou a própria existência do profeta em um sinal vivo e doloroso do juízo iminente sobre Judá.
Consequentemente, o ápice do sofrimento foi causado pela rejeição dos poderosos. Ser perseguido (Jr 36:26), ser posto em prisão (Jr 37:15-21) e ser jogado em uma cisterna (Jr 38:1-6) são as consequências diretas de confrontar a soberba dos reis e da elite. A lição teológica é que a Verdade de Deus sempre gera hostilidade quando confronta o poder estabelecido e a desobediência obstinada, validando, assim, a autenticidade de sua Palavra.
Portanto, Jeremias serve como o modelo de perseverança para o mensageiro da Palavra. Você deve entender que a fidelidade à mensagem de Deus pode vir com um custo pessoal e social. Não se iluda: falar a Verdade pode causar isolamento e perseguição. Contudo, seu foco deve ser o seu chamado por Deus, e não o conforto. O sofrimento do profeta é a prova de sua integridade frente a um mundo que prefere ser iludido.
3. Um profeta e cinco reis.
O texto de abertura do livro de Jeremias informa que a palavra do Senhor foi a ele nos dias de Josias, e nos dias de Jeoaquim até ao fim do ano undécimo de Zedequias (Jr 1.2,3). O destaque a estes três reis se dá em virtude de que eles reinaram por longo tempo, razão pela qual as suas ações são fundamentais no ministério de Jeremias e para a compreensão de suas lições na atualidade.
Jeremias profetizou por aproximadamente 40 anos, compreendendo o governo dos seguintes reis: Josias, Joacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias. Desses cinco reis, Joacaz e Joaquim reinaram somente três meses cada um, e ambos “fizeram o que era mal aos olhos do Senhor” (2Rs 23.31,32; 24.8,9).
Comentário da Palavra Forte de Deus
O fato de Jeremias ter ministrado ao longo do reinado de cinco reis (durante 40 anos) revela a paciência e a longanimidade inesgotável de Deus para com Judá. A palavra profética foi ininterrupta, um último apelo constante para o arrependimento, evidenciado pelo destaque dado a Josias, Jeoaquim e Zedequias, cujas longas ações moldaram o destino da nação (Jr 1:2,3).
Consequentemente, a breve e desastrosa trajetória de Jeoacaz e Jeoaquim, que reinaram apenas três meses e “fizeram o que era mal aos olhos do Senhor” (2 Rs 23:31,32; 24:8,9), é uma advertência sobre a rapidez do julgamento. Tempo de governo não define retidão. A lição teológica aqui é que a maldade e a rejeição ao Conselho de Deus podem levar ao colapso imediato da autoridade, independentemente da duração do mandato.
Portanto, a história desses cinco reis é um panorama do fracasso humano em responder à graça de Deus. Você deve entender que, em sua vida, a questão não é quanto tempo você tem, mas o que você faz com o tempo que lhe é dado. Você deve aprender com a teimosia dos reis, que ignoraram o profeta por 40 anos, e se dispor hoje a obedecer ao Conselho de Deus, garantindo que suas ações, e não a duração de sua vida, sejam agradáveis ao Senhor.
SUBSÍDIO I
“O ofício de profeta — […] Os verdadeiros profetas de Deus foram levantados por Ele para servir como um tipo de terceira ordem, juntamente com o sacerdote e o rei. Seu papel era de origem mais divina e importante do que o rei e o sacerdote: não era, entretanto, ‘oficializado’ no sentido que eram os outros. De fato, ao invés de transitar nos círculos da política e da religião estabelecida, os profetas agiam por fora, como instrumentos de correção ou conselheiros.
Todas as sociedades do mundo antigo tinham seus profetas, mas os de Israel destacavam-se em vários sentidos. Em primeiro lugar, eles tinham a total consciência de que eram chamados por Deus e, se de fato eram servos de Yahweh, adaptavam-se aos estritos critérios necessários à função, a fim de provar a sua credibilidade e genuidade.” (MERRILL, Eugene H. História de Israel no Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp.401,402).
2. JEOAQUIM: O REI QUE REJEITOU A DEUS E À SUA PALAVRA
1. Quem foi o rei Jeoaquim.
Com a morte de Josias, o rei da maior reforma religiosa da história de Israel, Jeoacaz, seu filho, o substituiu e reinou por três meses (2Rs 23.31). Eliaquim, seu irmão, assumiu o trono em seu lugar e teve seu nome mudado para Jeoaquim pelo Faraó — Neco a quem serviu como rei vassalo.
A expressão “e fez o que era mau aos olhos do Senhor, seu Deus” (2Cr 36.5) define a triste trajetória deste rei, cujas marcas centrais de seu governo foram a introdução de práticas pagãs e idólatras (Jr 7.16-18; 11.9-13; Ez 8), a frouxidão moral (Jr 5.26-29; 7.1-15) e a perseguição a profetas fiéis (Jr 26.20-23). Jeremias profetizou contra a injustiça praticada por este rei na construção de seu palácio. Ele usou mão de obra escrava (Jr 22.13-19), razão pela qual foi perseguido de forma implacável (11.18-23).
Comentário da Palavra Forte de Deus
A ascensão de Jeoaquim (originalmente Eliaquim ) marca uma ruptura abrupta e trágica com a reforma de seu pai, Josias. A troca de nome imposta pelo Faraó Neco simboliza sua submissão política a um poder pagão e, mais crucialmente, sua submissão espiritual às práticas pagãs e idólatras (Jr 7:16-18). A expressão “e fez o que era mau aos olhos do Senhor” (2 Cr 36:5) é o veredicto teológico sobre seu reinado, atestando que a verdadeira tragédia não foi política, mas espiritual.
Consequentemente, as marcas do seu governo demonstram que a apostasia religiosa é inseparável da injustiça social. Jeoaquim não apenas reintroduziu a idolatria, mas também demonstrou uma frouxidão moral e uma ambição egoísta, evidenciada pela construção de seu palácio com mão de obra escrava e sem pagamento justo (Jr 22:13-19). Esta simbiose entre pecado religioso e opressão social é o motivo do juízo profetizado por Jeremias, culminando na perseguição implacável dos profetas fiéis.
Dessa forma, a trajetória de Jeoaquim serve como um profundo alerta sobre a superficialidade da fé. Você deve entender que a verdadeira espiritualidade se manifesta na justiça prática (cf. Miquéias 6:8) e não apenas em rituais. A falha de Jeoaquim em honrar a Deus e ao próximo resultou no enfraquecimento total da reforma de Josias. Você deve se examinar: sua ambição e seus meios de alcançá-la estão enfraquecendo a sua fé e a sua moral?
2. Jeoaquim, o rei que rejeitou a mensagem de Deus.
Jeoaquim reinou por cerca de onze anos, período no qual Jeremias atuou como profeta. O episódio em que Jeoaquim corta e lança ao fogo o pergaminho com a mensagem de Deus enviada por Jeremias através de Baruque, além de ser um dos mais marcantes, mostra de forma clara como o rei lidava, não somente com o profeta, mas principalmente com a Palavra de Deus (Jr 36.1-32). Aproveitando o grande número de pessoas em torno do Templo, por causa da convocação de um jejum, sob a orientação divina, Jeremias, que estava impedido de ir à Casa do Senhor, ditou a mensagem ao escriba Baruque lhe dando a missão de transmiti-la ao povo (Jr 36.5,6). A mensagem proclamada na Casa do Senhor repercutiu junto ao rei que, ao ouvi-la, cortou em pedaços o pergaminho e os lançou no fogo (vv.22,23). De todos os erros de Jeoaquim, este, certamente, foi o mais grave, pois o texto informa que “não temeram, nem rasgaram as suas vestes o rei e todos os seus servos que ouviram todas aquelas palavras” (v.24). Além de rejeitar a palavra de Deus, o rei ordenou que o mensageiro fosse perseguido, entrando assim para a história como um dos reis que não deu ouvidos ao conselho de Deus pelo profeta (v.26).
Comentário da Palavra Forte de Deus
O episódio do corte e queima do pergaminho (Jr 36:22,23) é o ato de insubordinação teológica mais gritante da história de Judá. Não se trata de uma simples rejeição ao mensageiro (Jeremias), mas de um ataque direto e visceral contra a Palavra de Deus. Ao lançar o rolo ao fogo, Jeoaquim estava, simbolicamente, tentando consumir o próprio Conselho do SENHOR. Sua intenção era apagar a profecia para anular a condenação que ela trazia.
Ademais, o texto ressalta a insensibilidade espiritual da corte, pois “não temeram, nem rasgaram as suas vestes o rei e todos os seus servos que ouviram todas aquelas palavras”. Rasgar as vestes era o sinal bíblico de luto e contrição diante da Palavra de Deus (como Josias fez). A ausência dessa resposta indica um endurecimento completo do coração, uma recusa em reconhecer a gravidade do pecado e a soberania do Juiz.
Assim, este evento é um marco de juízo irrevogável. Você deve entender que o erro mais grave de Jeoaquim foi a inversão de autoridade: ele tentou subjugar o Conselho de Deus à sua própria vontade. Você deve se precaver contra o “fogo da soberba” em sua própria vida. Quando a Palavra de Deus confronta um pecado ou um plano pessoal, a atitude correta não é de rejeição e raiva, mas de temor e humilhação (rasgar as vestes do coração).
3. A rejeição da Palavra de Deus e as suas consequências.
Rejeitar a Palavra de Deus é um ato de insubmissão e de rebeldia. Contudo, aceitá-la e submeter-se a ela é demonstração de amor ao Senhor (Jo 14.15,21,23,24). O rei Jeoaquim rejeitou a Palavra do Senhor, perseguiu o profeta e decidiu andar pelos seus próprios caminhos, como se vê na decisão que tomou em rebelar-se contra Nabucodonosor (2Rs 24.1), vindo a ser duramente punido (2Rs 24.2; Jr 35.11) e, na sua morte não foi honrado e nem por ele houve quem lamentasse (Jr 22.18,19; 36.30). Já o profeta que por ele foi perseguido, experimentou a proteção divina (Jr 36.26), e quanto à Palavra de Deus que Jeoaquim rejeitou, Jeremias ditou o mesmo conteúdo para que Baruque reescrevesse “e ainda se acrescentaram a elas muitas palavras semelhantes” (36.32).
Comentário da Palavra Forte de Deus
A rejeição da Palavra é biblicamente definida como insubmissão e rebeldia, atos que quebram o mandamento central de amor ao Senhor (Jo 14:15,21). Jeoaquim, ao decidir andar pelos “seus próprios caminhos” e se rebelar contra Nabucodonosor (2 Rs 24:1), escolheu a insensatez política e espiritual. Sua punição foi severa e pública: na morte, não teve honra nem luto (Jr 22:18,19), um juízo profético que negou-lhe o descanso e o reconhecimento que ele tanto buscava em vida.
Por outro lado, o texto estabelece um contraste teológico fundamental entre o ímpio e o justo. Enquanto o rei soberbo foi duramente punido e desonrado, o profeta fiel (Jeremias), que sofreu a perseguição, experimentou a proteção divina (Jr 36:26). Mais importante ainda, a Palavra de Deus, que o rei tentou destruir, permaneceu inalterada e expandida (“acrescentaram a elas muitas palavras semelhantes,” Jr 36:32).
Portanto, esta seção oferece uma lição de esperança e soberania. Você deve entender que, não importa o quão poderoso seja o seu opositor ou quão implacável seja a sua perseguição, a Palavra de Deus sobre a sua vida é eterna e inquebrável. O juízo de Jeoaquim e a persistência da Palavra garantem que, mesmo que você enfrente perseguição por obediência, a proteção de Deus e a vitória final da Sua Palavra são inegociáveis.
SUBSÍDIO II
“Jeoaquim. O segundo dos filhos do rei Josias a reinar sobre Judá (r. 609-598 a.C.). A sua mãe era Zebida. Jeoaquim ‘fez o que era mal aos olhos do Senhor’ (2Rs 23.37), e o seu reinado de onze anos está registrado em 2 Reis 23.34-37; 24.1-6 e 2 Crônicas 36.4-8. Ele tinha vinte e cinco anos quando o faraó Neco depôs o seu irmão Jeoacaz e fê-lo rei, mudando o seu nome de nascimento, ‘Eliaquim’, para ‘Jeoaquim’. Inicialmente, pagou tributo ao Egito, mas tornou-se vassalo da Babilônia quando Nabucodonosor derrotou Neco em 605 a.C. Jeremias profetizou exílio e morte por causa da sua ganância e opressão dos pobres (Jr 22.13-19). Jeoaquim queimou o rolo de Jeremias e tentou prender o profeta, mas foi frustrado por Deus (Jr 36.20-26); matou, no entanto, o profeta Urias (Jr 26.20-23). Jeoaquim ignorou o conselho de Jeremias e rebelou-se contra a Babilônia, de modo que Nabucodonosor revidou primeiro, enviando pequenos bandos militares, depois sitiando Jerusalém e capturando Jeoaquim. Provavelmente, morreu no exílio.” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.270).
III. ZEDEQUIAS: O REI DAS INCERTEZAS
1. Quem foi o rei Zedequias.
Joaquim reinou no lugar de Jeoaquim por apenas três meses e foi substituído por seu tio Matanias, que teve o seu nome mudado pelo rei da Babilônia para Zedequias (2Rs 24.17). De acordo com o registro bíblico, Zedequias andou nos mesmos caminhos de Jeoaquim e “fez o que era mal aos olhos do Senhor” (2Rs 24.19) e o seu governo foi, ao que parece, a aplicação da ira de Deus contra Judá.
Zedequias assumiu o trono de Judá aos vinte e cinco anos de idade e reinou por onze anos. Ele não se rendeu à vontade de Deus, nem aceitou a mensagem dEle por meio de Jeremias e, pela dureza de seu coração “não se converteu ao Senhor” (2Cr 36.11-13).
Zedequias teve que amargar a experiência da última e mais trágica das invasões da Babilônia em Jerusalém, culminando com sua destruição total conforme profetizado por Jeremias (Jr 34.1-6). Isso tudo porque, à semelhança de Jeoaquim, Zedequias não deu ouvidos à voz de Deus e padeceu de um grande mal.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A subida de Zedequias (originalmente Matanias) ao trono, imposta por Nabucodonosor (2 Rs 24:17), já carrega o selo da submissão estrangeira , o que predispunha seu reinado à fraqueza. O veredicto “e fez o que era mal aos olhos do Senhor” (2 Rs 24:19) é crucial, pois, embora seu pecado fosse de indecisão, e não de rebeldia aberta como Jeoaquim, ele andou nos mesmos caminhos de iniquidade. O texto acertadamente define seu governo como a aplicação da ira de Deus , o ato final de juízo contra a obstinação de Judá.
Consequentemente, o problema central de Zedequias foi a dureza de coração (“não se converteu ao Senhor”, 2 Cr 36:11-13). A conversão exigiria dele um abandono radical das alianças políticas e a aceitação humilde da disciplina de Deus por meio da Babilônia. Ao rejeitar a mensagem de Jeremias, ele selou o destino de Jerusalém, amargando a experiência trágica da destruição total (Jr 34:1-6).
Assim, Zedequias serve como um alerta sobre o perigo da indiferença. Você deve entender que a omissão ou a falta de conversão genuína é tão condenável quanto a rebeldia ativa. Você não pode se esconder atrás da sua fraqueza de caráter para justificar a desobediência. A destruição total de Jerusalém sob seu governo demonstra que a rejeição passiva ao Conselho Divino também acarreta um “grande mal” e o cumprimento integral do juízo de Deus.
2. Zedequias, o rei das incertezas.
Como se sabe, Zedequias era ainda bem jovem quando assumiu o reinado de Judá e, embora, segundo as Escrituras, tenha trilhado por caminhos que não agradaram a Deus, ele consultou Jeremias por algumas vezes (Jr 21.1-7; 37.3,17-21; 38.7-28), o que demonstra, em alguma medida, um certo interesse por tentar andar pelo caminho correto. Há duas situações por meio das quais é possível notar a fraqueza deste rei: a primeira é que não tinha forças suficientes para liderar os oficiais de seu governo (Jr 38.5) e a segunda é que não tinha medo da opinião popular (Jr 19; 24).
Definitivamente, o reino de Zedequias foi marcado por incertezas advindas de sua fraqueza pessoal, como se vê no episódio em que o profeta o aconselha a entregar-se ao governo de Babilônia, como sinal de humilhação e aceitação da disciplina de Deus. No entanto, ainda que por um momento ele tenha pensado em cumprir a ordem divina, todavia, por causa de suas preocupações com os de fora, optou por ir contra a vontade divina (Jr 38.14-23). Zedequias, portanto, foi um rei que sofreu os danos, e ainda submeteu uma nação inteira à vergonha e à destruição, por causa de sua fraqueza, demonstrada na incerteza em relação a aceitar e obedecer a Palavra de Deus.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A história de Zedequias é um estudo clínico sobre a paralisia da indecisão. O fato de ter consultado Jeremias “por algumas vezes” (Jr 21:1-7; 37:3,17-21) não prova sua fé, mas sim sua consciência dividida. Ele conhecia o caminho correto, mas lhe faltava a força moral para trilhá-lo, preferindo consultar o profeta às escondidas. Sua fraqueza se manifestou na incapacidade de liderar seus próprios oficiais (Jr 38:5), tornando-se um refém da sua própria corte.
Ademais, a análise identifica corretamente a dupla fraqueza do rei: a falta de autoridade sobre os oficiais e o medo da opinião popular (cf. Jr 19 e 24). Seu governo foi uma teia de incertezas, culminando no episódio de Jeremias 38:14-23. O profeta lhe ofereceu a última saída: a humilhação e a aceitação da disciplina de Deus (render-se à Babilônia). Contudo, o medo da humilhação perante os “de fora” o fez rejeitar a vontade divina, demonstrando que ele valorizava mais a reputação humana do que o Conselho do SENHOR.
Assim, a incerteza de Zedequias é uma advertência solene contra a duplicidade espiritual. Você deve entender que a fraqueza pessoal leva à incerteza na hora da decisão, e essa incerteza submete não apenas a si mesmo, mas a todos ao seu redor, à vergonha e à destruição. A sua fé deve ser pública e resoluta. Não basta pensar em cumprir a Palavra; a obediência exige coragem e firmeza para ir contra a opinião popular e a pressão das circunstâncias.
3. A incerteza de um rei e as suas consequências.
Uma das qualidades que Deus requer daqueles que lideram sobre o seu povo é “força e coragem” como se vê em suas palavras quando Josué recebeu a incumbência de substituir Moisés (Js 1.9). Estas qualidades são encontradas em Gideão, aliás, elas lhes renderam o elogio que recebeu do próprio Senhor (Jz 6.12,14). Ao contrário disso, o rei Zedequias teve em sua fraqueza a raiz de todos os males em sua trajetória, pois dela resultou a sua incerteza nos momentos nos quais ele teve de tomar decisões importantes. Ele não se submeteu à mensagem de Deus transmitida por meio do profeta Jeremias. Como consequência, o juízo de Deus se manifestou, permitindo que o rei da Babilônia matasse os seus filhos à sua vista, lhe tirasse os seus olhos e destruísse as casas de seu povo e a própria Jerusalém (Jr 39.6-8).
Não ouvir os conselhos de Deus por meio de Jeremias custou caro a Zedequias.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A análise teológica do juízo sobre Zedequias começa com o contraste de virtudes exigidas por Deus: força e coragem (Js 1:9; Jz 6:12,14$). A fraqueza de Zedequias é, portanto, a raiz de todos os males de seu reinado, pois gerou a incerteza que o impediu de tomar as decisões cruciais que salvariam a nação. A falta de coragem para obedecer à Palavra é, na visão profética, a causa primária do colapso final de Judá.
Consequentemente, o juízo de Deus manifestado sobre ele é um dos mais chocantes e simbólicos de todo o Antigo Testamento. Ser forçado a ver a morte de seus filhos antes de ter os olhos vazados (Jr 39:6-8) é o símbolo profético da negação da sua autoridade real e da punição pela sua visão míope. Ao ter a visão tirada, o rei, que já era cego espiritualmente, torna-se cego fisicamente, encerrando sua jornada na mais completa escuridão.
Portanto, a tragédia de Zedequias deve servir como uma advertência indelével sobre o preço da desobediência e da fraqueza. Você deve entender que não ouvir os conselhos de Deus custa caro, custa a sua visão, a sua família e a sua paz. A lição final é a necessidade de firmeza e coragem na fé. O crente deve se apegar ao Conselho do SENHOR, garantindo que sua trajetória seja marcada pela força da obediência, e não pela fraqueza da incerteza.
CONCLUSÃO
Ouvir os conselhos divinos e viver de acordo com eles é ter a garantia de uma vida protegida pelo Senhor. Por outro lado, rejeitá-los, como Jeoaquim e Zedequias, é uma escolha tola, arriscada e perigosa. Vimos nessa lição que o princípio da obediência aos conselhos de Deus serve para todos indistintamente, e que esse é o caminho para uma vida longa, tranquila e abençoada.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A Conclusão sintetiza o tema central da lição: a obediência como única garantia de segurança. A promessa de uma “vida protegida pelo Senhor” não é mágica, mas a consequência pactual de ouvir e viver de acordo com o Seu Conselho (Pv 19:21). Em contraste, a rejeição, exemplificada pela rebeldia ativa de Jeoaquim e pela fraqueza indecisa de Zedequias, é corretamente definida como “insensata, arriscada e perigosa”.
Ademais, o texto reitera um princípio teológico fundamental ao afirmar que a obediência “serve para todos indistintamente”. Esta é a democratização da graça e da responsabilidade: não há privilégio de realeza ou posição que isente o indivíduo da necessidade de se submeter à Palavra. A destruição dos reis demonstra que, no Reino de Deus, o juízo é imparcial e a obediência é a condição universal para o bem-estar.
Portanto, você deve receber esta conclusão como o último apelo profético de Jeremias à sua alma. O caminho para uma vida “longa, sossegada e abençoada” é o da submissão resoluta. Você deve deixar para trás a insensatez e o risco. A lição final é esta: o Conselho de Deus é o seu único porto seguro em meio à tempestade das suas próprias incertezas e da rebeldia do mundo.
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