Lição 5: O Filho que redime

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS
1º Trimestre de 2026
Título: Plano Perfeito — A salvação da Humanidade, a mensagem central das Escrituras
Autor: Marcelo Oliveira
Comentário: Palavra Forte de Deus
Lição 5: O Filho que redime
Data: 1 de fevereiro de 2026
TEXTO PRINCIPAL
“No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (Jo 1.29).
Comentário da Palavra Forte de Deus
O Texto Principal destaca a declaração profética de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Esta afirmação identifica Jesus como o sacrifício perfeito e definitivo, prefigurado por séculos no sistema sacrificial do Antigo Testamento.
Ao chamar Jesus de Cordeiro, João aponta para a substituição: Ele assume o lugar que seria nosso no julgamento divino. Essa verdade é o coração do Evangelho, pois revela que a solução para o problema do pecado não veio de um esforço humano, mas de uma iniciativa do próprio Deus.
Portanto, esta declaração não é apenas um registro histórico, mas um convite pessoal para reconhecer nossa dependência de Cristo. Aceitar que Jesus é o Cordeiro que tira o pecado significa confiar que nossa dívida espiritual foi totalmente quitada na cruz.
RESUMO DA LIÇÃO
O sacrifício único de Jesus, como o Cordeiro de Deus, para nos redimir do pecado e nos reconciliar com o Pai, cumpre as profecias, trazendo libertação e perdão definitivo para quem crê.
Comentário da Palavra Forte de Deus
O resumo da lição enfatiza que o sacrifício único de Jesus tem como objetivo central nos redimir e nos reconciliar com o Pai celestial. A redenção aponta para o alto preço pago por Cristo na cruz para nos resgatar da escravidão do mal, enquanto a reconciliação descreve a restauração da nossa amizade e comunhão com Deus.
Este plano de salvação não foi um evento isolado ou um improviso, mas o cumprimento exato das promessas divinas que trazem libertação e perdão definitivo para todo aquele que crê. A vitória de Cristo sobre o pecado oferece uma solução permanente para o dilema humano, conectando as profecias do passado com a realidade da graça no presente.
Por fim, a lição reforça que os benefícios desse resgate são aplicados individualmente mediante a fé. Não se trata apenas de um conhecimento intelectual sobre a morte de Jesus, mas de uma experiência de libertação que atinge o centro da nossa existência. Viver sob este perdão definitivo nos capacita a caminhar com esperança, sabendo que fomos reconciliados com o Criador para vivermos uma vida de propósito.
OBJETIVO
APRESENTAR a tipologia do Cordeiro Pascal;
MOSTRAR que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, valorizando a obra de Cristo como o único meio de reconciliação com Deus;
SABER que a Redenção e a Reconciliação ocorrem por meio da obra salvífica de Cristo.
INTERAÇÃO
Na lição desta semana, estudaremos a respeito de Jesus, o Filho de Deus, do qual João Batista declara “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Este não era um cordeiro comum, mas um cordeiro cujo sacrifício fornecia perdão de pecados para todos. As passagens do Antigo Testamento destacam o ministério sacrificial de Jesus, as passagens do Novo Testamento destacam sua vitória.
Curiosamente, mesmo depois de completar a sua obra sacrificial, Ele ainda mantém o título de “Cordeiro de Deus” que serve de lembrete constante do valor da obra de Cristo como o único meio de reconciliação com Deus. Foi graças a este sacrifício único que a nossa Redenção e Reconciliação com Deus se tornou possível, nos livrando das amarras do pecado e nos trazendo de volta à intimidade com o nosso Criador. Por isso, não cesse de louvar e glorificar a Jesus por sua obra vicária na cruz do Calvário.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), a fim de promover a reflexão sobre o assunto da aula de hoje, além de engajar os alunos para que desenvolvam a capacidade de argumentação e promover a colaboração entre eles, sugerimos que você inicie a aula com a seguinte pergunta: “Vocês já se sentiram afastados de alguém que amam? Já se reaproximaram? Como foi a reconciliação?”
Afastar-se de quem nós amamos por algum erro que cometemos é muito ruim. Viver afastado de Deus por causa dos nossos pecados é terrível. O pecado fez com que o ser humano se afastasse de Deus, mas Cristo, o Filho que redime, nos reconciliou com o Pai. Ore com seus alunos agradecendo a Deus pela redenção e pela reconciliação em Cristo.
No decorrer da aula, procure também mostrar aos seus alunos que a “o significado de ‘redenção’ (gr. apolytrōsis) é de resgate através do pagamento de um preço. Ser redimido quer dizer ser comprado, restituído ou restaurado. Também sugere ser resgatado, liberado e livrado. A palavra ‘redenção’ indica os meios pelos quais a salvação é obtida ou assegurada — mediante o pagamento de um resgate.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1514).
TEXTO BÍBLICO
Êxodo 12.1-7,11; João 1.29,32-34.
Êxodo 12
1 — E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:
2 — Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.
3 — Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada casa.
4 — Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; conforme o comer de cada um, fareis a conta para o cordeiro.
5 — O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras
6 — e o guardareis até o décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.
7 — E tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem.
11 — Assim, pois, o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do Senhor.
Provérbios 23
29 — No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
32 — E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre ele.
33 — E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.
34 — E eu vi e tenho testificado que este é o Filho de Deus.
COMENTÁRIO DA LIÇÃO
INTRODUÇÃO
Nesta lição, nosso foco é a centralidade de Jesus Cristo como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Desde o Antigo Testamento, a imagem do Cordeiro Pascal em Êxodo 12 já anunciava um livramento divino, simbolizando a libertação da escravidão e a proteção pelo sangue.
Essa tipologia profética se cumpre gloriosamente em Cristo, cujo sacrifício vicário é a única e suficiente obra para a redenção da humanidade. O sangue de Jesus, derramado na cruz, aniquila o pecado e estabelece uma reconciliação definitiva com Deus. Ao final, refletiremos sobre o viver como redimidos e reconciliados, desfrutando da plena comunhão com o Pai.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A imagem do Cordeiro não surge no vácuo, mas possui raízes profundas que remontam a Êxodo 12, onde o Cordeiro Pascal anunciou um livramento divino crucial. Naquele contexto, o sacrifício simbolizava a libertação da escravidão física e a proteção sobrenatural pelo sangue, estabelecendo um padrão para o que Deus faria pela humanidade.
Diferente dos sacrifícios antigos que precisavam ser repetidos, a entrega de Jesus na cruz é superior em eficácia e extensão. O sangue derramado pelo Salvador não apenas cobre as falhas humanas temporariamente, mas aniquila o poder do pecado e estabelece uma base sólida para a nossa reconciliação com o Criador.
A obra de Cristo não visa apenas um perdão jurídico, mas a restauração de uma comunhão plena e íntima com o Pai. Desfrutar dessa presença é o alvo da vida cristã, permitindo que a realidade da salvação transforme a nossa identidade, o nosso caráter e a nossa esperança em relação ao futuro eterno.
I – O CORDEIRO DA PÁSCOA: UM SÍMBOLO DA SALVAÇÃO
1. O contexto do Cordeiro da Páscoa.
A primeira vez que a imagem do Cordeiro de Deus aparece de forma clara na Bíblia é em Êxodo 12. É nesse capítulo que Deus institui a Páscoa, e o cordeiro se torna símbolo de livramento. Mas para entender isso melhor, precisamos lembrar do que estava acontecendo com o povo de Israel.
O livro de Êxodo mostra que os israelitas estavam sendo oprimidos como escravos no Egito (Êx 1.12,13). Era um tempo de sofrimento, dor e humilhação. Eles viviam sem liberdade, forçados a trabalhar duro, sem esperança de mudança. Essa situação de escravidão representa algo muito profundo: a condição do ser humano sem Deus, preso pelo pecado.
O apóstolo Paulo explica isso muito bem quando diz: “Por meio de um só homem o pecado entrou no mundo, e pelo pecado, a morte; e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Assim como os israelitas eram escravizados no Egito, nós também estávamos presos pelo pecado. Mas foi nesse cenário que Deus apresentou uma saída: o Cordeiro da Páscoa.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A imagem do Cordeiro de Deus manifesta-se de forma clara em Êxodo 12, no momento em que Deus institui a Páscoa como um símbolo de livramento para o povo de Israel. Para compreendermos a profundidade deste símbolo, precisamos recordar o cenário de opressão em que os israelitas viviam como escravos no Egito.
Esta escravidão física serve como uma representação vívida da condição espiritual de todo ser humano sem Deus, aprisionado pelas correntes do pecado. O apóstolo Paulo esclarece esta ligação ao ensinar que o pecado entrou no mundo por um só homem, espalhando a morte a todos, pois todos pecaram (Rm 5.12).
Foi precisamente nesse cenário de absoluta desesperança que Deus apresentou uma saída específica: o Cordeiro da Páscoa. O animal não era apenas um alimento, mas um meio de escape providenciado pela misericórdia divina. Ao instituir o cordeiro como o centro da libertação, Deus estava ensinando que a saída da escravidão exigiria uma vida entregue em substituição.
2. A instituição da Páscoa.
Depois de 400 anos de escravidão no Egito, Deus começou a libertar o povo de Israel. Ele escolheu Moisés para liderar essa missão. Mas a saída não foi fácil, pois o Faraó não queria deixar os israelitas partirem. Então, Deus enviou várias pragas para confrontar o coração endurecido do rei. Enquanto isso, os israelitas ainda moravam no Egito, e, para não serem atingidos pelas pragas, eles precisavam obedecer à direção de Deus.
A última praga seria a mais difícil: a morte de todos os filhos primogênitos do Egito, até mesmo o filho do Faraó não estava livre. Para proteger os israelitas, e estabelecer um memorial por tão grande livramento, Deus instituiu a Páscoa (Êx 12). Ele deu orientações bem específicas: cada família deveria escolher um cordeiro de um ano, sem defeito, matar o animal ao entardecer e passar o sangue dele nas ombreiras das portas.
Além disso, todos deveriam comer a carne do cordeiro vestidos e prontos para sair do Egito (Êx 12.4,5,7,11). Naquela noite, o Anjo da Morte passou pelo Egito. As casas que tinham o sangue do cordeiro, no local indicado por Deus, foram poupadas. Ninguém morreu ali (Êx 12.12-14,23,37,38,51). Mas nas casas egípcias, onde não havia sangue, os primogênitos morreram (Êx 12.29).
Esse livramento marcou a história de Israel. O povo saiu do Egito e celebrou aquele dia como a primeira Páscoa. O cordeiro sem defeito, cujo sangue foi colocado nas ombreiras e na verga da porta, trouxe vida e proteção. Essa é a Páscoa! Um lembrete de que o sangue do cordeiro trouxe libertação.
Comentário da Palavra Forte de Deus
Após quatro séculos de escravidão, Deus iniciou o processo de libertação de Israel através da liderança de Moisés, confrontando o coração endurecido de Faraó. A última praga anunciada seria a mais severa: a morte de todos os primogênitos na terra do Egito. Para proteger o Seu povo desse julgamento, Deus estabeleceu a Páscoa como um memorial e um escudo.
Naquela noite histórica, o sangue do cordeiro tornou-se o sinal que diferenciava o povo de Deus dos egípcios aos olhos do mensageiro divino. Onde havia o sangue aplicado conforme a orientação do Senhor, a morte não entrava; havia vida e proteção para todos os que estavam dentro daquela habitação. Esse evento marcou o nascimento nacional de Israel e consolidou a verdade de que o sangue de um inocente era o instrumento escolhido para preservar a vida dos condenados.
O livramento da primeira Páscoa é um lembrete eterno de que a salvação vem através da obediência à provisão de Deus. O cordeiro sem defeito, sacrificado ao entardecer, trouxe a liberdade que exércitos não conseguiram conquistar. Celebrar a Páscoa era recordar que a vida de Israel foi comprada e protegida por um sangue substituto.
3. A tipologia do Cordeiro Pascal.
Hoje, esse cordeiro é uma tipologia profética de Cristo Jesus. Aqui temos duas imagens vívidas e simbólicas que remontam ao sacrifício de Jesus: o Cordeiro Pascal como um sacrifício substitutivo no lugar dos primogênitos (Êx 12.27), que simboliza nosso Senhor como Aquele que foi sacrificado por nós (1Co 5.7); e o sangue nos umbrais das portas, que salvou as famílias israelitas (Êx 12.7,23), simboliza o sangue de Cristo derramado na cruz do Calvário para nos livrar do pecado (Hb 9.22). Assim, esse acontecimento no Antigo Testamento aponta de maneira gloriosa para o que o Senhor Jesus faria, de uma vez por todas. Sua obra vicária é o cumprimento único e suficiente de tudo o que começou em Êxodo 12.
Comentário da Palavra Forte de Deus
Atualmente, entendemos que o cordeiro de Êxodo 12 funciona como uma poderosa tipologia profética de Jesus Cristo. Existem duas imagens fundamentais que conectam aquele evento ao sacrifício do Salvador: primeiro, o Cordeiro Pascal como um substituto no lugar dos primogênitos. Assim como o animal morria para que o filho da casa vivesse, Cristo foi sacrificado por nós (1Co 5.7).
Em segundo lugar, o sangue aplicado nos umbrais das portas, que salvou as famílias israelitas da morte, simboliza o sangue de Cristo derramado na cruz. A Bíblia afirma categoricamente que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9.22), e o sangue de Jesus é o único capaz de purificar a consciência e livrar o homem da condenação.
Portanto, a obra vicária de Jesus é o cumprimento único e perfeito de tudo o que foi iniciado na instituição da Páscoa. Ele é o Cordeiro perfeito, sem mancha ou defeito, que encerra o ciclo de sacrifícios temporários ao oferecer a Sua própria vida. Ao olharmos para a tipologia do Cordeiro Pascal, somos levados a adorar a Cristo, reconhecendo que a nossa libertação espiritual foi planejada por Deus.
SUBSÍDIO I
“A Páscoa e a Festa dos Pães Asmos. O calendário religioso de Israel começou com a Páscoa, o dia reservado para comemorar a libertação do Egito. Ocorrendo na primavera, este dia singular era acompanhado pela celebração de uma semana conhecida como a Festa dos Pães Asmos, durante a qual todos os homens eram obrigados a fazer uma peregrinação ao santuário e oferecer as primícias da colheita de cevada (Lv 23.9-14). Israel observava a Páscoa com rituais que reencenavam a noite em que o Senhor poupou os israelitas no Egito.
Um cordeiro era morto, e seu sangue colocado nos batentes das portas das casas e no Altar de Bronze do santuário. O cordeiro era assado e servido com pão asmo e ervas amargas, enquanto os participantes — vestidos com roupas de viagem — ouviam a releitura da história do êxodo. Eles não deveriam ter fermento em qualquer lugar entre eles, nem realizar trabalho no primeiro e último dia da festa e nem deixar de levar ofertas ao santuário (Nm 9.1-5; Js 5.10,11; 2Rs 23.21-23; 2Cr 30; 35.1-19).
Os cristãos primitivos associaram a morte de Jesus com a do cordeiro pascal (1Co 5.7,8), encorajados pelos comentários de Jesus na Última Ceia (descrita pelos Evangelhos Sinóticos como uma refeição pascal; e.g., Mt 26.17-30). Talvez Jesus quisesse enfatizar que, assim como a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos lembravam o povo de Deus da sua libertação e provisão, os seus seguidores encontrariam nEle verdadeira liberdade e plena provisão.” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2024, p.197).
II – JESUS: O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO
1. O Cordeiro de Deus.
É bem verdade que, em Êxodo 12, o sacrifício do Cordeiro Pascal não era para tirar o pecado. Contudo, tinha a ver com a luta entre a vida e a morte, conforme estudamos acima. Mais tarde, no sistema de sacrifícios do Antigo Testamento, o cordeiro recebe essa conotação de expiação do pecado. Em Isaías 53, de maneira profética, é apresentada a imagem de um Cordeiro que sofre e é levado ao matadouro.
Essas imagens do Cordeiro Pascal que marcam o livramento de um povo — do Cordeiro que expia o pecado no sistema de sacrifícios do Antigo Testamento e, principalmente, do Cordeiro em Isaías 53, na profecia do Servo Sofredor, que morre no lugar de outro — são evocadas por João Batista quando ele proclama; “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Essa mensagem de João Batista evoca nosso Senhor como o Cordeiro do sacrifício perfeito, completo e suficiente para pagar, de uma vez por todas, o pecado de todo o mundo.
Comentário da Palavra Forte de Deus
Embora em Êxodo 12 o Cordeiro Pascal simbolizasse primariamente a luta entre a vida e a morte para o livramento de um povo, o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento evoluiu para dar ao cordeiro a conotação de expiação pelo pecado. A profecia de Isaías 53 aprofunda essa imagem ao apresentar o Servo Sofredor como um cordeiro levado ao matadouro, sofrendo em lugar de outrem.
A mensagem de João Batista não foi apenas um título honroso, mas a declaração de que Jesus é o sacrifício perfeito, completo e suficiente. Diferente dos rituais antigos que eram limitados, a entrega de Cristo possui um valor infinito, capaz de pagar a dívida espiritual de toda a humanidade de uma vez por todas.
Portanto, Jesus como o Cordeiro de Deus representa o ápice do plano de redenção, onde o próprio Deus providencia a oferta para satisfazer a Sua justiça. Essa verdade traz um descanso profundo ao crente, pois a nossa salvação não repousa em sacrifícios repetitivos ou esforços pessoais, mas na obra consumada de Cristo.
2. “Aniquila o pecado”.
Na Carta aos Hebreus 9.26, lemos: “Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”.
Esse versículo evoca uma verdade afirmada em toda a Carta aos Hebreus, bem como a expressão usada por João Batista, “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; havia apenas um propósito no ministério de Jesus: “aniquilar o pecado”.
Como visto na segunda lição, o ser humano não sabe o que fazer com o problema do pecado e com toda a sua culpa e vergonha, mas nosso Senhor providenciou o sacrifício perfeito que, diferentemente dos sacrifícios do Antigo Testamento, soluciona o problema do pecado e remove toda a culpa e vergonha do coração do ser humano pecador.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A Carta aos Hebreus reforça a singularidade do ministério de Jesus ao afirmar que Ele se manifestou na consumação dos séculos para “aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26). Essa expressão é poderosa pois indica que a missão de Cristo não foi apenas remediar ou esconder o pecado, mas destruir o seu domínio e a sua força condenatória.
Diferente dos sacrifícios do Antigo Testamento, que serviam como um lembrete anual das transgressões, a obra de Jesus remove a raiz do problema. Aniquilar o pecado significa que a sentença de morte que pesava sobre o pecador foi cancelada, permitindo que o coração seja purificado de toda a má consciência. Essa verdade soluciona o dilema humano da incapacidade de lidar com os próprios erros, oferecendo uma libertação.
Assim, o sacrifício de Jesus é o ponto de virada na história da humanidade, onde a vergonha é substituída pela dignidade de filhos de Deus. Ao aceitarmos essa obra, experimentamos a remoção do fardo que o pecado impõe, sendo capacitados a caminhar em uma nova realidade de justiça. Viver na luz dessa “aniquilação” do pecado é desfrutar de uma liberdade que o mundo não pode oferecer.
3 O poder do sangue de Jesus.
No Antigo Testamento, o sumo sacerdote oferecia, todos os anos, sacrifícios com sangue de animais (Hb 9.25). Mas Jesus fez diferente: Ele entregou a si mesmo e ofereceu o seu próprio sangue por nós quando morreu na cruz (Hb 9.22). O sangue de Jesus tem um significado muito forte para a nossa fé. Tanto que, na Ceia do Senhor — uma das ordenanças da Igreja —, o cálice representa o sangue de Cristo (Mt 26.27,28; 1Co 11.25).
Quando participamos da Ceia, estamos lembrando de que foi o sangue de Jesus que nos trouxe vida. Por isso, nunca devemos esquecer o que o sangue de Cristo significa. Foi pelo sangue que fomos libertos. Pelo sangue fomos salvos. Pelo sangue fomos comprados, perdoados e purificados. O sangue de Jesus é precioso e poderoso. Ele é a prova do amor de Deus por nós, e garante o perdão dos nossos pecados de forma definitiva (1Jo 1.7).
Comentário da Palavra Forte de Deus
No Antigo Testamento, a expiação dependia de sacrifícios anuais de animais, mas Jesus estabeleceu um novo e vivo caminho ao oferecer o Seu próprio sangue na cruz (Hb 9.22, 25). O sangue de Cristo possui um significado central para a nossa fé, sendo o elemento que garante a validade da Nova Aliança.
O sangue de Jesus é descrito como poderoso porque realiza o que nenhum outro recurso poderia: ele nos salva, compra, perdoa e purifica simultaneamente. Foi pelo sangue que fomos resgatados do império das trevas e reintegrados ao Reino de Deus, recebendo uma purificação contínua que nos permite andar na luz (1Jo 1.7).
Nunca devemos esquecer ou tratar como comum o que o sangue de Cristo representa para nossa jornada. Ele não é apenas um símbolo teológico, mas a garantia de nossa vitória e a fonte de nossa santificação diária. Ao participarmos da comunhão e da vida cristã, celebramos o fato de que o sangue precioso do Cordeiro é o que nos sustenta e nos dá a certeza da vida eterna.
SUBSÍDIO II
“Cordeiro de Deus. Um título de Jesus usado no Evangelho de João, nas Cartas de João e em Apocalipse. A expressão aparece pela primeira vez em João 1.29, onde João reconhece que Jesus é aquEle ‘que tira o pecado do mundo’, e depois novamente em João 1.36, quando o clamor de João faz com que dois dos seus discípulos tornem-se os primeiros seguidores de Jesus.
A referência principal é a Festa da Páscoa, durante a qual João coloca a narrativa da paixão, na qual um cordeiro é abatido e comido. Essa é celebração e eco da Páscoa original, na qual o povo hebreu passou sangue de cordeiro nas ombreiras das suas portas para que o julgamento contra os primogênitos do Egito não atingisse os hebreus (Êx 12.1-15). A salvação que João vislumbra é diferente da narrativa do êxodo em muitos aspectos.
O inimigo de que o povo de Deus é salvo não é mais um opressor geopolítico, mas o próprio pecado. Israel agora foi expandido para conter toda a raça humana. O ‘cordeiro’ passou por uma grande transformação e agora deve ser identificado com o Messias e até com o próprio Deus. Para os crentes do NT, a morte e a ressurreição de Jesus são a conclusão da Páscoa. Ao invés de salvar um povo de um perigo específico, a salvação de Deus alcança eficácia universal em Jesus Cristo, tirando o pecado do mundo.
A outra figura que alimenta o significado de ‘Cordeiro de Deus’ é o Servo Sofredor de Isaías 53. Isaías diz: ‘Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca’ (53.7). Para João, talvez, o significado desse versículo cumpre-se especificamente em João 19.9. Os cordeiros também faziam parte da adoração cultual de Israel e eram aceitáveis para mais de uma oferta (e.g., Lv 3.7; 4.32; 5.6).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.126).
III. REDENÇÃO E RECONCILIAÇÃO POR MEIO DA OBRA SALVÍFICA DE CRISTO
1. A Redenção.
A Palavra de Deus nos mostra a linda imagem da redenção. A obra de Cristo na cruz transforma a vida do pecador. Foi por meio do sangue precioso de Jesus que fomos resgatados e redimidos. Em outras palavras, através do seu Filho, Deus nos libertou do domínio do Diabo e do pecado, e ainda restaurou nosso relacionamento com Ele (1Pe 1.18,19).
A salvação tem a ver com um alto preço pago: o sangue de Jesus. Essa é uma obra extraordinária que muda totalmente a nossa condição, que antes era de pecado, indignidade e corrupção. Jesus nos resgatou, nos redimiu — e isso muda tudo!
Comentário da Palavra Forte de Deus
A Palavra de Deus nos apresenta a poderosa imagem da redenção, um termo que, no contexto bíblico, remete ao resgate de um escravo mediante o pagamento de um preço. Foi por meio do sangue precioso de Jesus que fomos resgatados e redimidos de uma condição de escravidão espiritual. Através do Seu Filho, Deus nos libertou do domínio das trevas e do poder do pecado, restaurando a nossa dignidade e nos tirando de um estado de corrupção para uma nova vida de liberdade (1Pe 1.18,19).
A salvação não foi gratuita para Deus; ela envolveu um preço altíssimo e inestimável: o sangue de Jesus Cristo. Essa obra extraordinária transforma radicalmente a nossa condição anterior, que era marcada pela indignidade e pela separação. Ao nos resgatar, Jesus não apenas nos perdoa, mas nos retira do “mercado do pecado” e nos coloca sob a Sua propriedade exclusiva. Esse ato de redenção muda tudo em nossa existência, pois passamos a pertencer Àquele que nos amou primeiro.
Portanto, viver a redenção é reconhecer que não somos mais donos de nós mesmos, mas fomos comprados para um propósito santo. A certeza do resgate traz segurança para o jovem cristão, pois o preço já foi totalmente pago e o recibo de quitação é o Espírito Santo em nossos corações. Compreender a redenção é a base para uma vida de gratidão, onde cada atitude nossa passa a refletir a honra de pertencermos a Cristo e a alegria de estarmos livres das correntes que antes nos prendiam.
2. A Reconciliação.
A Palavra de Deus também nos mostra que a obra de salvação realizada por Cristo nos reconciliou com Deus. Em outras palavras, em Cristo, Deus estava restaurando o nosso relacionamento com Ele, que havia sido quebrado por causa do pecado (2Co 5.18,19). A reconciliação é justamente isso: a volta da comunhão entre Deus e o ser humano. Essa verdade é uma das bases da salvação.
Por isso, por meio de Jesus, podemos nos aproximar de Deus com confiança, como diz a Bíblia: “cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4.16). Só conseguimos fazer isso porque “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19).
Comentário da Palavra Forte de Deus
A Palavra de Deus também nos revela que a obra da salvação realizada por Cristo promoveu a nossa reconciliação com o Pai. Em Cristo, Deus estava restaurando ativamente o relacionamento que havia sido quebrado no Éden por causa do pecado (2Co 5.18,19). A reconciliação é, essencialmente, o restabelecimento da paz e da comunhão entre o Criador e a criatura.
Por causa dessa obra, agora podemos nos aproximar de Deus com inteira confiança, sem o receio de sermos rejeitados. Como diz o texto de Hebreus 4.16, somos convidados a chegar ao trono da graça para alcançar misericórdia e achar ajuda em tempo oportuno. Esse acesso privilegiado só é possível porque “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”.
Essa reconciliação é o que dá sentido à nossa vida de oração e adoração cotidiana. Não buscamos a Deus como alguém distante ou irado, mas como um Pai que nos recebeu de volta em Seus braços. A reconciliação cura a alma e restaura a identidade do crente, permitindo que ele viva em harmonia com os propósitos divinos.
3. Vivendo como redimidos e reconciliados.
Por meio da obra de salvação realizada por Jesus na cruz, fomos redimidos e reconciliados com Deus. A Redenção nos libertou do domínio do pecado e do Diabo — éramos escravos, mas agora somos livres (Cl 1.13,14). A Reconciliação restaurou nossa comunhão com o Pai — antes distantes, agora estamos perto (Ef 2.13). Essas duas verdades caminham juntas: fomos comprados por um alto preço e recebidos novamente como filhos. Em Cristo, temos acesso direto ao trono de Deus, sem medo, culpa ou condenação (Hb 4.16).
O que antes era barreira, hoje é ponte. A cruz de Jesus abriu o caminho para uma vida nova, longe da escravidão do pecado e perto do coração de Deus. Agora, nada nos impede de viver uma vida com propósito e intimidade com o Pai. Por isso, viva cada dia como alguém que foi perdoado, liberto e acolhido — e não como quem ainda está preso ao passado de pecado.
Comentário da Palavra Forte de Deus
Fomos libertos pelo poder da Redenção e aproximados pelo poder da Reconciliação, duas verdades que caminham juntas na vida do salvo. Enquanto a redenção nos tirou do domínio do pecado e do Diabo — transformando escravos em homens livres (Cl 1.13,14) — a reconciliação restaurou a nossa comunhão com o Pai, trazendo para perto aqueles que antes estavam distantes (Ef 2.13).
Essa nova realidade espiritual significa que temos acesso direto ao trono de Deus, sem carregar o peso da culpa, do medo ou da condenação. A cruz de Jesus funcionou como o instrumento que transformou a barreira do pecado em uma ponte de acesso à glória divina. Nada mais nos impede de viver uma vida com propósito e intimidade profunda com o Criador, pois o caminho foi aberto de uma vez por todas.
Assim, somos chamados a viver cada dia como pessoas verdadeiramente perdoadas, libertas e acolhidas, e não como quem ainda está preso ao passado de falhas. A nossa conduta deve ser motivada pela alegria da salvação e pela liberdade que recebemos em Cristo. Viva com a cabeça erguida, sabendo que você é um redimido do Senhor e um amigo de Deus.
SUBSÍDIO III
Professor(a), leve seus alunos a refletirem a respeito do pecado e a nossa reconciliação com Deus. “Paulo usou textos do AT [Sl 5.9; 14.1-3; 36.1; 53.1; 140.3; Jr 5.16; Pv 1.16; Is 59.7,8], para mostrar que a humanidade é pecadora e inaceitável perante Deus.
Alguma vez você já analisou a si mesmo da seguinte maneira: ‘Bem, não sou tão mau assim’ ou ‘Até que sou uma pessoa muito boa’. Em caso afirmativo, leia novamente Rm 3.10-18 e veja se algum deles se aplica a você.
Você já mentiu? Ofendeu os sentimentos de alguém com suas palavras ou tom de voz? Foi áspero com alguém? Você se ira com aqueles que discordam totalmente de suas palavras? Em pensamentos, palavras e atos, você, como todo o mundo, é culpado perante Deus! Deve lembrar-se de quem somos aos olhos do Senhor: pecadores perdidos. Não negue que é um pecador. Antes, permita que sua desesperada carência o conduza a Cristo.” (Adaptado da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p.1556,1557).
CONCLUSÃO
O sacrifício de Jesus na cruz, ao derramar seu precioso sangue, aniquilou o pecado — algo que os sacrifícios do Antigo Testamento não podiam fazer de forma definitiva. Essa obra transformadora nos resgatou da escravidão do pecado e do domínio do Diabo, restaurando nossa comunhão com o Pai. Assim, como redimidos e reconciliados, somos chamados a viver uma vida de liberdade e intimidade com Deus, sem culpa ou condenação. A cruz de Jesus não é apenas um marco histórico, mas a ponte que nos garante acesso direto ao trono da graça.
Comentário da Palavra Forte de Deus
O sacrifício de Jesus na cruz, ao derramar Seu precioso sangue, aniquilou o pecado de uma forma que os rituais do Antigo Testamento jamais poderiam fazer de maneira definitiva. Enquanto os antigos sacrifícios serviam como uma sombra e um lembrete temporário das falhas humanas, a obra de Cristo atingiu a raiz do problema, removendo a barreira espiritual que nos separava do Criador.
Essa obra transformadora nos resgatou da escravidão do pecado e do domínio das trevas, restaurando a nossa comunhão com o Pai de forma profunda e eterna. Como pessoas redimidas e reconciliadas, agora somos chamados a viver uma vida de liberdade real e intimidade com Deus, sem o peso da culpa ou o medo da condenação.
Portanto, a cruz de Jesus não deve ser vista apenas como um marco histórico distante, mas como a ponte viva que nos garante acesso direto ao trono da graça em qualquer momento. Por meio dela, o que antes era inacessível tornou-se o nosso lar espiritual, onde encontramos misericórdia e auxílio oportuno. Viva cada dia sob o brilho desta verdade, permitindo que a reconciliação conquistada por Cristo governe o seu coração, as suas escolhas e o seu relacionamento com o próximo.
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