LIÇÃO 4: O VASO DO OLEIRO A DESCRIÇÃO ESPIRITUAL DA NAÇÃO


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS


4º Trimestre de 2025

Título: Exortação, arrependimento e esperança — O ministério profético de Jeremias


Autor:  Elias Torralbo

Comentário: Palavra Forte de Deus

Data: 26 de outubro de 2025


TEXTO PRINCIPAL


“Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura, a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?” (Rm 9.20)


Comentário da Palavra Forte de Deus


Esta passagem bíblica, oriunda da epístola paulina aos Romanos, opera como uma chave hermenêutica para a compreensão da Parábola do Oleiro (Jr 18). Em primeiro lugar, ele articula a inquestionável Soberania Divina sobre a criação e, especificamente, sobre o destino das nações e dos indivíduos. O apóstolo Paulo utiliza a metáfora do oleiro para silenciar qualquer pretensão humana de questionar os desígnios do Criador.

Consequentemente, a retórica paulina reforça a ideia de que o artefato não possui autonomia para replicar ou duvidar da ação de quem o molda. Ademais, a indagação de Romanos 9.20 estabelece um contraste crucial: a limitação da criatura versus a Onipotência do Criador. A forma e o propósito do vaso são determinados exclusivamente pela vontade do Oleiro, o que significa que a matéria-prima (o barro, que representa Israel/Judá) deve submeter-se à modelagem divina.

A nossa responsabilidade, portanto, reside na maleabilidade e na aceitação do processo de Deus. Em outras palavras, a pergunta de Paulo não busca uma resposta, mas sim a rendição incondicional da vontade humana diante da sabedoria do Mestre Artesão. Desse modo, o texto nos ensina que a autenticidade da nossa fé se manifesta na submissão, porque o Oleiro sempre conhece o melhor desenho para o vaso.


RESUMO DA LIÇÃO


A Soberania de Deus garante o sucesso de seu propósito, mesmo que o seu povo esteja em decadência espiritual.


Comentário da Palavra Forte de Deus


O sumário da lição sintetiza o cerne da mensagem profética de Jeremias 18, ressaltando o atributo da Supremacia de Deus. Desse modo, o êxito do plano eterno não está condicionado à fidelidade ou à performance humana, mas sim ao poder e à vontade inabalável do Altíssimo.

No entanto, é imperativo notar que a “decadência espiritual” de Judá não anula o propósito divino, mas sim dispara o mecanismo de correção e juízo. A Soberania, por conseguinte, manifesta-se não apenas no ato criador, mas também na capacidade de julgar e de restaurar. A nação, na condição de vaso defeituoso, está sob o controle do Mestre Artesão, que pode refazê-la (o que aponta para a esperança e o arrependimento) ou descartá-la (o que denota a advertência e o juízo).

A mensagem é um chamado à submissão: o vaso que se quebra nas mãos do Oleiro tem uma segunda chance, se permitir ser remoldado, porque a longanimidade divina prevalece sobre a ira. Dessa maneira, o resumo nos lembra que a perseverança de Deus em Seu propósito é a nossa maior âncora de segurança, visto que Ele trabalha em prol de Seus objetivos, independentemente da nossa inconstância.


OBEJETIVOS


COMPREENDER a parábola da casa do oleiro.

DESTACAR a soberania de Deus.

MOSTRAR que a mensagem de Jeremias era de advertência, esperança e amor.


INTERAÇÃO


Prezado(a) professor(a), na lição deste domingo, veremos um dos textos bíblicos do livro de Jeremias mais conhecidos. A visita do profeta à casa do oleiro, onde recebeu uma mensagem para entregar ao povo. Embora a condição de Judá fosse de falência espiritual, Deus ainda amava e chamava seu povo ao arrependimento. Tudo o que eles teriam que fazer era permitir serem moldados pelo Criador, conforme a sua soberana vontade.


ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA


Professor(a), para a aula de hoje, sugerimos que seja reproduzido o quadro abaixo com algumas lições práticas que Deus apresentou a Jeremias. Deus utilizou diversos métodos e modos para comunicar sua Palavra a Judá. Utilize o quadro para explicar à classe que temos muito a aprender por meio destas lições. Enfatize o amor e o cuidado de Deus para com um povo rebelde e apóstata.


TEXTO BÍBLICO


Jeremias 18.1-15


1 A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, dizendo:
2 Levanta-te e desce à casa do oleiro, e la te farei ouvir as minhas palavras.
3 E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas.
4 Como o vaso que ele fazia de barro se quebrou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus olhos fazer.
5 Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
6 Não poderei eu fazer de vos como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz O SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.
7 No momento em que eu falar contra uma nação e contra um reino, para arrancar, e para derribar, e para destruir.
8 se a tal nação, contra a qual falar, se converter de sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe.
9 E. no momento em que eu falar de uma gente e de um reino, para o edificar e o plantar,
10 se ele fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz. então. me arrependerei do bem que tinha dito lhe faria.
11 Ora. pois, fala agora aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém, dizendo:
Assim diz o SENHOR: Eis que o estou forjando mal contra vos e projeto um plano contra vos: convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações.
12 Mas eles dizem: Não há esperança, porque após as nossas imaginações andaremos: e fará cada um segundo o propósito do seu malvado coração.
13 Portanto, assim diz o SENHOR: Perguntai, agora, entre os gentios quem ouviu tal coisa? Coisa mui horrenda fez a virgem de Israel!
14 Porventura, deixar-se-a a neve do Líbano por uma rocha no campo? Ou deixar-se-ão as águas estranhas, frias e correntes?
15 Contudo, o meu povo se tem esquecido de mim, queimando incenso à vaidade; e fizeram-nos tropeçar nos seus caminhos e nas veredas antigas, para que andassem por veredas afastadas, não aplainadas;


INTRODUÇÃO


Nesta lição, veremos o chamado divino para que o profeta fosse à casa do oleiro. Embora a condição dos judeus era de falência espiritual, Deus ainda os amava e chamava ao arrependimento. Eles precisavam permitir ser moldados pelo Criador, conforme a sua soberana vontade. Nós veremos a relação entre a soberania de Deus e a cooperação humana; a restauração de uma nação; e que os planos de Deus não podem ser frustrados, pois Ele é Soberano.


Comentário da Palavra Forte de Deus


Este parágrafo de abertura ressoa como um chamado profético, estabelecendo o palco para o conflito central da vida cristã: a batalha incessante entre a obediência e a rebeldia. De fato, não se trata de uma mera disputa teórica, mas de uma luta existencial que molda o destino de nossa jornada espiritual, definindo a quem servimos. A menção do profeta Jeremias, conhecido por sua tristeza e por seu sofrimento, já nos antecipa que a obediência a Deus não é sinônimo de ausência de dor, mas sim de uma fidelidade que ultrapassa as circunstâncias.

Ademais, a promessa implícita da fidelidade de Deus em cumprir a sua Palavra lança uma luz penetrante sobre as consequências de nossas decisões, revelando a importância de discernir o caminho estreito da justiça. Assim, cada passo que damos, cada pensamento que cultivamos, nos aproxima ou nos afasta da presença divina, selando nosso destino eterno. A capacidade de Deus de “forjar mal” (Jr 18.11), por outro lado, denota Seu poder de usar o juízo como ferramenta para o arrependimento e a reabilitação.

Dessa forma, esta introdução serve como um farol, iluminando o caminho para a compreensão da dualidade essencial que define nossa experiência como seguidores de Cristo. Que possamos abraçar a verdade com humildade e coragem, permitindo que o Espírito Santo nos guie em cada passo de nossa jornada, reconhecendo que a nossa cooperação na rendição da vontade é a chave para a nossa restauração.


I – A PARÁBOLA DA CASA DO OLEIRO


1. Compreendendo o texto.


O vocábulo “parábola” é de origem grega, cujo significado é “colocar ao lado de”. Nas Escrituras Sagradas, o seu uso visa transmitir uma mensagem e valores espirituais por meio de linguagem fácil, já conhecida, favorecendo assim a sua compreensão. No capítulo 18 do livro de Jeremias encontramos a “Parábola da Casa do Oleiro”.

Por intermédio dela, o profeta recebeu, com clareza, a mensagem de Deus a ser transmitida ao seu povo. Nesta parábola, o oleiro representa o próprio Deus, o Criador. Ele é visto como um oleiro, trabalhando na formação de um vaso de barro que representa o povo de Judá. Este foi o método que Deus usou para trazer ao profeta uma mensagem de advertência e de arrependimento a Judá.


Comentário da Palavra Forte de Deus


O termo grego parabolé (colocar ao lado de) visa estabelecer uma justaposição, e é por isso que Jeremias 18 emprega a analogia da cerâmica. O profeta alcança uma clareza inigualável sobre a mensagem de Deus. A figura do Oleiro encarna o próprio Deus, o Criador, ao passo que o vaso de barro simboliza a nação de Judá. O método divino de comunicação, ao utilizar a cena prosaica do oleiro trabalhando na roda, sublinha a simplicidade e a profundidade da advertência: a vida de Judá estava inteiramente nas mãos do Artífice Soberano.

Neste sentido, a parábola não é meramente uma ilustração, mas uma teofania didática, visto que Deus se revela em Sua autoridade por meio de um ofício manual e corriqueiro. O barro, matéria-prima vulnerável, evoca Gênesis 2.7, lembrando a Judá sua origem humilde e sua total dependência do Criador. Consequentemente, a falta de maleabilidade da nação foi uma afronta direta à natureza da relação Criador-Criatura, pois o barro rígido impede o propósito do artífice.

A lição, portanto, reside no fato de que Deus utiliza o tangível e o facilmente reconhecível para comunicar verdades espirituais de complexidade. Dessa forma, a observação da roda em movimento não deixou dúvidas a Jeremias sobre o poder de desfazer para refazer, o que significa que a misericórdia de Deus sempre acompanha a Sua Soberania, permitindo uma segunda chance ao vaso defeituoso, desde que este se submeta novamente ao processo de modelagem.


2. Jeremias recebe a mensagem. 


O profeta recebeu a ordem divina para que fosse até a casa do oleiro sob a promessa de que lá receberia uma nova mensagem a ser entregue ao povo (Jr 18.1,2,5) e, assim que assistiu à confecção do vaso, recebeu a mensagem de Deus (Jr 18.4,5). O trabalho do oleiro era comum nos dias de Jeremias, mas este fato representou vividamente o controle de Deus sobre o seu povo, demonstrando o seu trabalho em moldá-los e permitir que desfrutassem de seus planos e de evitar o mal que os cercava. Foi, portanto, diante do trabalho de um oleiro que Jeremias recebeu uma mensagem que deveria ser transmitida a Judá.


Comentário da Palavra Forte de Deus


A ordem para “descer” (Jr 18.2) à morada do oleiro não é meramente geográfica; é um convite à humildade e à contemplação da ação divina. Ao testemunhar o refazimento do vaso (Jr 18.4), Jeremias entendeu a prerrogativa e o poder de Deus em moldar. Com efeito, a cena demonstra o controle absoluto do Eterno sobre o seu povo, e simultaneamente, a sua disposição em permitir que a nação desfrutasse dos seus propósitos mais elevados.

Neste contexto, o trabalho do artífice da cerâmica se torna um ato profético em si mesmo. A promessa de que Deus o faria “ouvir as minhas palavras” (Jr 18.2) destaca a importância da observação ativa e da disposição do profeta para absorver a revelação não apenas pela audição, mas pela visão. Logo, o controle de Deus sobre o vaso é análogo ao controle sobre os eventos de Judá, o que demonstra que a história não é regida pelo acaso, mas pela mão firme do Oleiro.

A mensagem, por conseguinte, não foi apenas uma transmissão verbal, mas uma epifania visual. Isso implica que a autoridade da profecia de Jeremias se baseou no testemunho ocular do poder de Deus em reverter a má condição do barro, enfatizando que o propósito divino não é apenas a destruição, mas a remodelagem do Seu povo.


3. A mensagem da casa do oleiro.


O conteúdo central da mensagem que Jeremias recebeu de Deus na casa do oleiro mostra a seguinte condição de Judá: não faltava culto, o que faltava era adoração genuína; Judá praticava a idolatria. Com base no que viu na casa do oleiro, a mensagem de Jeremias desvendou a raiz da idolatria que imperava, pois, diante da Palavra do Senhor, eles diziam: “Andaremos segundo as nossas imaginações; e cada um fará segundo o propósito do seu mau coração”, pois eles estavam mergulhados em “vaidade” (Jr 18.12,15).

Substituir o lugar que pertence somente a Deus em nossos corações, é idolatria. Sendo assim, ao afirmar que andaria segundo a sua própria vontade, Judá estava colocando Deus de lado. No entanto, a mensagem que Jeremias recebeu na casa do oleiro reafirmava o controle do Senhor como Soberano e que tem o seu povo em suas mãos. A mensagem não tratava somente da soberania de Deus, mas também de sua longanimidade. Nela havia tanto a advertência (v.6) quanto a esperança (vv.8-10). Isso significa que o conteúdo desta mensagem consiste, basicamente, no interesse de Deus de que o seu povo se arrependesse e aceitasse ser cuidado por Ele.


Comentário da Palavra Forte de Deus


O locus central da mensagem não reside na ausência de ritos, mas na carência de uma devoção autêntica. O povo de Judá estava apegado à idolatria, manifestada na declaração: “Andaremos segundo as nossas imaginações” (Jr 18.12). Essa autoafirmação é o cerne da rebelião; em síntese, representa a usurpação do lugar que pertence somente ao Eterno no coração humano. A lição reafirma o domínio soberano de Deus e, por outro lado, realça a sua longanimidade.

É notório que a “vaidade” (Jr 18.15) que seduzia o povo é a confiança nas próprias invenções e no seu próprio julgamento, o que implica em uma rejeição da Palavra revelada. Portanto, o profeta desnuda a raiz da apostasia: o problema não estava na frequência ao Templo, mas na vontade obstinada que rejeitava a ética do pacto e preferia seguir o caminho do “coração malvado”.

A mensagem era um apelo à Metanoia ( mudança de rota ). Nela havia a admoestação (v. 6), mas também a expectativa (vv. 8-10). Logo, o conteúdo dessa comunicação consiste, basicamente, no interesse divino de que Sua gente se emendasse e aceitasse a tutela amorosa do Criador, o que prova que a Soberania de Deus é exercida com propósitos redentores e não meramente destrutivos.

Dando prosseguimento à nossa análise exegética da Lição 04, e mantendo o rigor do estilo solicitado, avançamos para os pontos remanescentes.


SUBSÍDIO 1


“Deus ordenou que Jeremias fosse à casa de um artesão que fabricava peças de cerâmica. Ali, ele observou o oleiro formando um recipiente de barro. No entanto, a criação original resultou defeituosa, e não seria adequada para o que o oleiro pretendia. Assim, o artesão teve que moldar a peça outra vez, formando algo que serviria melhor aos seus propósitos. Esta parábola contém vários princípios importantes que se aplicam à obra de Deus em nossas vidas. (1) A nossa submissão a Deus — Aquele que pode moldar o nosso caráter e o nosso propósito — determina, em grande parte, o que Ele pode fazer conosco.

(2) Uma vez que Deus nos dá um livre-arbítrio para tomar nossas próprias decisões, a falta de devoção a Deus pode impedir o seu propósito original para nós (cf. v.10). (3) Deus permanece livre para alterar as suas intenções para as nossas vidas, dependendo das escolhas que fazemos e da maneira como respondemos a Ele. Se resistirmos ou nos rebelarmos contra Ele, Ele tornará a moldar nossas vidas, em um esforço para nos restaurar aos seus propósitos. Se continuarmos a desafiá-lo, Ele poderá decidir moldar nossas vidas de uma maneira destinada a destruição (vv.7-11 cf. 19.10,11; Rm 9.22).

Por outro lado, se estivermos rumando à destruição completa, mas então nos arrependermos — afastando-nos de nosso próprio caminho obstinado e permitindo que Deus transforme o nosso coração e a nossa mente, para que possamos segui-lo de modo eficaz — Deus começará a dar nova forma às nossas vidas, para a sua honra (cf 2Tm 2.20,21). (4) Se enquanto estivermos dispostos a renunciar as nossas próprias intenções imperfeitas, e seguir os planos perfeitos de Deus, Ele será capaz de renovar o nosso propósito e nos dar um novo começo.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.930).


1. A SOBERANIA DE DEUS


1. Soberania.


A soberania de Deus indica sua onipotência, autonomia e independência. Na prática, isso significa que o Eterno é poderoso para fazer tudo o que deseja. É livre para fazer como e quando quiser, além de não depender de nada e nem de ninguém para ser quem Ele é. O conceito de soberania divina esteve presente no ministério do profeta Jeremias (32.17-19). Ele falou acerca de Nabucodonosor como sendo uma escolha soberana de Deus (25.9; 27.6; 43.10).

Nabucodonosor também reconheceu este atributo divino, ao afirmar “quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas as suas maravilhas! O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração” (Dn 4.3). Ao assistir o oleiro trabalhando, Jeremias pôde compreender claramente a mensagem de que, assim como o oleiro é livre para fazer o vaso que desejar a partir da argila em suas mãos, assim também o Senhor pode fazer de seu povo o que lhe apraz (18.6). A soberania divina, portanto, é o cerne dessa mensagem.


Comentário da Palavra Forte de Deus


O conceito teológico da Supremacia Divina denota a Onipotência, a Autonomia e a Completa Independência do Senhor. Em termos práticos, o Ser Eterno tem o poder e a liberdade para executar tudo o que lhe agrada, sem dependência ou limitação externa. A menção de Nabucodonosor como um instrumento da escolha divina (Jr 25.9; 27.6) evidencia que a Soberania se estende até mesmo sobre os líderes seculares, o que significa que Deus está no controle de todas as esferas da existência, sejam elas sagradas ou profanas.

Nesse sentido, o espetáculo do oleiro modelando a argila confirmou a Jeremias que Deus é livre para lidar com seu povo da maneira que melhor lhe parecer (18.6). A prerrogativa divina é, inegavelmente, o fundamento dessa revelação. Ademais, o reconhecimento desse atributo até mesmo por um monarca pagão como Nabucodonosor (Dn 4.3) reforça a inquestionável autoridade do Altíssimo.

Por conseguinte, a Soberania não deve ser vista como um atributo frio, mas como o alicerce da nossa segurança: se Ele é Todo-Poderoso, então Seus propósitos de misericórdia e reabilitação para o Seu povo são infalíveis. Portanto, o Mestre Artesão possui a plena liberdade de agir, seja para julgar, seja para reconstruir.


2. Familiarizado com a soberania de Deus.


Quando foi chamado por Deus, Jeremias ouviu, dentre outras palavras, a expressão “formar” (1.5) e esta é oriunda do hebraico yatzar, que quer dizer “modelar” e também aponta para o ato de “criar”. Essa mesma ideia aparece na informação “formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra” (Gn 2.7) e é replicada em textos que confirmam o Senhor como o oleiro, isto é, Ele é o yotzer, aquEle que molda o seu povo, conforme a sua soberana vontade (Is 26.16; 45.9; 64.8).

Sendo assim, a partir de sua própria experiência, nenhuma outra ideia sobre Deus tinha mais clareza para Jeremias do que o seu poder de formar, moldar e trabalhar em pessoas de acordo com a sua soberana e boa vontade. Falar do que viu na casa do oleiro, como pano de fundo da intenção de Deus em trabalhar o seu povo e em seu favor, foi falar de algo que Jeremias vivia integralmente. Ele poderia afirmar sobre o poder de Deus em transformar o simples barro em vasos de valor em suas mãos, desde que houvesse submissão ao seu querer.


Comentário da Palavra Forte de Deus


O profeta já tinha familiaridade com este atributo desde o seu chamamento, na expressão hebraica yatzar (formar, modelar) de Jeremias 1.5, que também remete ao ato criador em Gênesis 2.7. Para Jeremias, Deus era o Yotzer, Aquele que confecciona o seu povo conforme a Sua Benevolente e Soberana Vontade (Is 45.9). Por conseguinte, a experiência na morada do artífice da cerâmica foi uma confirmação prática e visual de um princípio que ele já vivenciava em seu ministério e em sua vocação pessoal.

Além disso, a profunda familiaridade de Jeremias com o conceito de Deus como o Oleiro potencializou a autoridade de sua pregação. Ele não transmitia uma doutrina abstrata, mas sim uma realidade que havia contemplado e que era o fundamento de sua própria existência. Consequentemente, a sua preleção sobre o poder de Deus de transformar o “simples barro” em artefatos de valor era um apelo direto à experiência pessoal de submissão do indivíduo ao desígnio do Criador.

Dessa forma, o potencial de valor do barro só se concretizava através da rendição à mão do Oleiro. Em outras palavras, a mensagem ensina que a Soberania de Deus não é uma força tirânica, e sim a garantia de que o propósito mais elevado para o homem será alcançado, desde que haja a adaptabilidade e a concordância à Sua boa e perfeita vontade.


3. A cooperação humana.


No texto de Jeremias 18 podemos ver a ação de Deus, do profeta e do povo. Jeremias transmitiu a mensagem do Senhor, mas o povo não respondeu positivamente a ela. Logo, além da soberania divina haveria também o livre-arbítrio das pessoas em aceitar ou não a mensagem. No entanto, caso houvesse aceitação da mensagem e arrependimento, Deus daria outro rumo à história de seu povo. Em vez de entregá-lo aos inimigos, Ele o protegeria deles, mas caso não lhe desse ouvidos, o mal seria inevitável (7.8; 9.10).

O texto não diz que o oleiro quebrou o vaso, mas que o vaso se quebrou nas mãos dele, como uma indicação de Deus para que, à semelhança daquele vaso, o seu povo se rendesse e se quebrantasse em suas mãos. A mensagem na casa do oleiro também nos mostra que a cooperação humana não invalida a soberania de Deus, assim como a soberania do Senhor não exclui a responsabilidade humana.


Comentário da Palavra Forte de Deus


A dinâmica do capítulo 18 não se resume apenas à Soberania, mas também à responsabilidade humana expressa no livre-arbítrio. Jeremias cumpriu seu papel, mas a nação escolheu a obstinação (Jr 18.12), recusando-se a responder de forma positiva à exortação. Neste panorama, caso houvesse a concordância à mensagem e a correção de conduta, Deus alteraria o curso da história de Seu povo, o que demonstra a flexibilidade da longanimidade divina em resposta à transformação humana.

É crucial observar a precisão do texto bíblico: o vaso “se quebrou” na mão do artífice (18.4). Isso implica que o defeito não foi causado pelo Oleiro, mas pela má qualidade ou pela rigidez do próprio barro, fruto da sua própria desobediência. A mensagem é, portanto, um apelo ao quebrantamento e à rendição da vontade própria. Logo, a quebra do vaso não é um ato de vingança, mas uma metáfora de Deus para que o Seu povo se rendesse e se humilhasse sob Suas mãos.

A mensagem do oleiro nos ensina um postulado teológico vital: a colaboração do homem não anula a Soberania Divina, bem como a Soberania do Senhor não exclui a deliberação e a prestação de contas da humanidade. Portanto, o processo de modelagem exige a nossa participação ativa no arrependimento para que o propósito de Deus seja plenamente manifesto em nossa existência.


SUBSÍDIO 2


SOBERANIA — Esta expressão representa o ensino bíblico que se refere ao absoluto, irresistível, infinito e incondicional exercício da vontade própria de Deus sobre qualquer área da sua criação. Deus é aquele que ordena todos os eventos ao longo do tempo e da eternidade, Ele também é o Criador e Mantenedor de tudo o que existe. Deus faz todas as coisas, segundo o conselho de sua vontade’ (Ef 1.11).

Não há nada que esteja excluído do campo da soberania de Deus, incluindo até mesmo os atos ímpios dos homens. Embora Deus não aprove esses atos de impiedade, Ele os permite, governa e usa para os seus próprios objetivos e glória. A crucificação, o crime mais hediondo de todos os tempos, estava comprometida dentro dos limites ‘do determinado conselho e presciência de Deus’ (At 3.23). O Senhor Jesus disse a Pilatos que crucificar o Filho de Deus não era uma atitude que estava dentro dos limites do poder humano, mas aquele poder só poderia vir do Pai (Jo 19.11).” (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.1844,1845).

PROFESSOR(A), permita que o Soberano molde a sua vida e o seu ministério de ensino. O Eterno deseja nos modelar, transformar e fazer de nós vasos, ainda que de barro, uteis a sua obra.


III. ADVERTÊNCIA SIM, ESPERANÇA E AMOR TAMBÉM


1. Advertência divina. 


O ministério de Jeremias serviu de sinal ao povo de Deus e, conforme se vê em todo o seu livro, a exortação é a sua tônica. O povo de Judá foi avisado sobre o iminente juízo divino que o aguardava, caso não se arrependesse e permanecesse em seus maus caminhos (18.11). Se por um lado Jeremias representava a advertência, a exortação e a punição divina, por outro lado, o exercício de seu ministério oferecia duas certezas ao povo: Deus ainda estava no meio do seu povo e com ele falava, e Ele ainda se interessava e trabalhava pela sua restauração.

A presença de Deus e o seu interesse pelo povo fundamentaram a mensagem recebida a partir do que Jeremias viu na casa do oleiro, a fim de tocar a consciência de Judá para que se voltasse para Deus e se arrependesse de seus maus caminhos. Deus estava chamando a atenção de seu povo. Esta advertência fundamentou-se na capacidade divina de fazer o que bem entender, isto é, tanto manter o seu plano original quanto mudar de plano (18.5-11).


Comentário da Palavra Forte de Deus


A admoestação é o mote do ministério de Jeremias, o que significa que a sua pregação era dominada pela repreensão e pelo aviso do juízo iminente (Jr 18.11). Contudo, a figura do vaso sendo remoldado pelas mãos do Oleiro oferece uma certeza dupla e consoladora: a presença constante de Deus no meio do Seu povo e o Seu interesse inextinguível na reabilitação da nação.

Consequentemente, a mensagem não se esgota na punição; ela é um catalisador para a reflexão sobre o propósito original de Israel. A nação foi constituída como “luz para os gentios” (Is 49.6), e é por isso que a advertência de Deus tinha o objetivo de despertar a consciência de Judá para que voltasse ao Seu Criador e, assim sendo, cumprisse a Sua missão global.

A Advertência, portanto, fundamenta-se na capacidade divina de mudar de plano (Jr 18.5-11) em face do arrependimento. Em outras palavras, Deus não é refém de Suas próprias ameaças; Ele as profere para chamar o povo de volta e não para destruí-lo. Desta forma, a repreensão é uma manifestação direta do amor de Deus, que deseja preservar e restaurar a Sua aliança.


2. Uma advertência de amor e de esperança.


A mensagem de Jeremias não foi uma demonstração da ira divina contra Judá, mas de sua justiça que, ao invés de excluir o seu amor, o exalta, conjuntamente com a esperança de que só em Deus o seu povo pode ter. Deus afirmou que, a semelhança do vaso nas mãos do oleiro, assim o seu povo estava em suas mãos, assegurando-lhe que poderia descansar em seus cuidados paternais (18.6).

Toda esta constatação está em conformidade com o pensamento de Deus sobre o seu povo, que eram pensamentos de paz e não para o mal (29.11-13). O Senhor usou o profeta para revelar os seus pensamentos, sentimentos e propósitos para com o seu povo, ao afirmar que ele era como filhos preciosos e motivo da comoção de seu coração (31.20,33).


Comentário da Palavra Forte de Deus


A mensagem de Jeremias deve ser interpretada como um equilíbrio entre a Justiça e o Amor Incondicional de Deus. A admoestação não é uma explosão de ira caprichosa, mas sim a aplicação de um padrão justo que, ao invés de anular a afeição, a enaltece, oferecendo uma expectativa de futuro que só pode ser encontrada no Eterno.

Nesse contexto, a imagem do vaso nas mãos do Oleiro (Jr 18.6) serve como o maior asseguramento da providência. O povo podia confiar e encontrar refúgio nos cuidados paternos do Criador, e é por isso que essa constatação está em perfeita harmonia com os desígnios de Deus para a nação: propósitos de shalom (paz e bem-estar) e não para a calamidade (Jr 29.11).

O profeta atuou como um mediador da ternura divina, revelando os sentimentos e as intenções do Altíssimo. Ao declarar que Israel era como “filhos preciosos” e motivo da comoção de Seu coração (Jr 31.20,33), o Senhor demonstrou que a correção era um ato de disciplina amorosa, visando a reconciliação e o retorno à aliança.


3. A restauração de um povo.


O interesse de Deus não era destruir o seu povo, mas restaurá-lo (18.8,9), embora a falta de arrependimento resultasse em sua destruição (10-17). Ainda com a imagem do vaso sendo trabalhado pelas mãos do oleiro, é possível notar o interesse de Deus em forjar uma Judá forte, preparada e capaz de refletir a sua glória e o seu caráter às nações.

Deus prometeu abençoar todas as famílias da Terra por intermédio da descendência de Abraão (Gn 12.3). O Eterno constituiu Israel como “luz para os gentios” (Is 49.6), em outras palavras, a razão e o propósito da existência de Israel como povo de Deus se limitam ao cumprimento de seu propósito de anunciar e tornar as grandezas de Deus conhecidas entre as nações.


Comentário da Palavra Forte de Deus


O verdadeiro intento de Deus nunca foi a condenação, mas sim a reabilitação (Jr 18.8,9). Por conseguinte, a figura do vaso sendo laborado pelas mãos do Oleiro simboliza o interesse divino em reconstituir Judá para que fosse uma nação robusta, apta a irradiar a Sua glória e o Seu caráter às outras etnias.

Neste sentido, a restauração da nação estava intrinsecamente ligada ao mandato original dado a Abraão (Gn 12.3) e à vocação de Israel como “luz para os gentios” (Is 49.6). Ou seja, a existência do povo de Deus estava condicionada ao cumprimento de Sua missão: propagar e proclamar as grandezas do Senhor entre as nações do mundo.

Dessa forma, a mensagem da casa do oleiro culmina na esperança de renovação. O juízo é um instrumento pedagógico, mas o objetivo final é a perpetuação da aliança e o restabelecimento do povo para que ele se torne um veículo eficaz da revelação divina. Logo, a fidelidade de Deus garante que o propósito do vaso — ser útil e glorioso — será cumprido.


SUBSÍDIO 3


“Deus continua livre para modificar as suas intenções declaradas, e a ajudar a maneira como Ele lida conosco, dependendo das escolhas que fazemos. Isto inclui a maneira como respondemos a sua oferta de perdão ou aos seus avisos de juízo. Os planos de Deus para nós não são completamente pré-determinados e inalteráveis. Embora o próprio Deus não mude (Nm 25.19; Tg 1.17), a sua misericórdia e paciência permitem que Ele seja ‘flexível’ quando leva em consideração mudanças espirituais, crescimento e progresso nas pessoas.

As bênçãos, promessas e juízos de Deus normalmente são condicionais, dependendo de nossas escolhas e comportamento. Embora Deus conheça as decisões que iremos tomar, Ele não nos obriga a tomar essas decisões. Em vez disso, Ele permite que decidamos se vamos seguir o seu caminho de propósito e bênção, ou o caminho da rebelião e do juízo”. (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.930).


CONCLUSÃO


O capítulo 18 de Jeremias traz uma mensagem de advertência e de exortação, de amor e de esperança a um povo pelo qual Deus tem um amor incondicional, mas que lhe exige santidade e, em alguns momentos, arrependimento e mudança de rota.


Comentário da Palavra Forte de Deus


Em derradeiro lugar, o décimo oitavo capítulo de Jeremias oferece uma mensagem multifacetada: é um solene alerta e uma vigorosa exortação, mas também um manifesto de afeição incondicional e de expectativa de futuro a um povo. O Criador, em Sua Magnanimidade, exige a santidade e, portanto, um desvio imediato da rota da desobediência e do pecado.

Nesse sentido, a conclusão da lição deve ressoar como um convite à tomada de decisão. O amor de Deus, embora incondicional, exige uma resposta de obediência e retificação, o que implica uma submissão contínua ao processo de modelagem do Oleiro.

Por fim, a lição nos ensina que a mensagem profética, no seu cerne, é sempre uma demonstração de cuidado. O Artífice trabalha incessantemente para que o barro se torne um vaso de honra, e nossa única obrigação é cooperar com Seu trabalho através do quebrantamento e da humildade.