Lição 3: A Natureza do Deus que salva

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS
1º Trimestre de 2026
Título: Plano Perfeito — A salvação da Humanidade, a mensagem central das Escrituras
Autor: Marcelo Oliveira
Comentário: Palavra Forte de Deus
Lição 3: A Natureza do Deus que salva
Data: 18 de janeiro de 2026
TEXTO PRINCIPAL
“Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” (Sl 34.8).
Comentário da Palavra Forte de Deus
O salmista Davi convida o adorador a uma experiência sensorial e espiritual profunda através do termo hebraico que significa “provai” ou “degustai”. Você deve notar que o conhecimento acerca do Altíssimo não é meramente intelectual, mas exige uma participação ativa e íntima com a Sua essência. Dessa maneira, o Senhor se revela como Aquele que é intrinsecamente perfeito, convidando você a verificar pessoalmente a Sua imensa bondade.
Em continuidade, o texto associa a visão espiritual à percepção da glória divina ao utilizar o verbo vede. Olhando por esse ângulo, você percebe que a confiança depositada em Deus não é um salto no escuro, mas uma entrega baseada na evidência do Seu cuidado constante.
Portanto, a condição de “bem-aventurado” prometida no versículo é o resultado direto de uma vida centralizada na dependência do Pai. A mensagem bíblica assegura que o homem que se abriga no Senhor experimenta uma felicidade que ultrapassa as circunstâncias terrenas.
RESUMO DA LIÇÃO
“A obra da salvação, que é revelada plenamente em Jesus Cristo, expressa a bondade, o amor e a santidade de Deus.”
Comentário da Palavra Forte de Deus
A obra da redenção é a vitrine máxima onde os atributos invisíveis do Criador tornam-se visíveis à humanidade caída. Ao contemplar o sacrifício de Jesus Cristo, você compreende que a salvação não é um plano de última hora, mas a expressão exata da afeição divina. O Senhor usa o Calvário para demonstrar que Seu desejo de resgatar o homem é movido por profundo amor, carinho, afeto, zelo, estima.
Ademais, a salvação revela o equilíbrio perfeito entre a misericórdia e a pureza absoluta do caráter de Deus. Você deve entender que a santidade divina exigia um pagamento pelo pecado, mas o Seu amor providenciou o Cordeiro substituto para satisfazer essa justiça. Com efeito, essa manifestação poderosa do Espírito Santo atua para restaurar a dignidade humana, promovendo em nós santidade, pureza, retidão, integridade, inocência.
Consequentemente, o resumo desta lição desafia você a reconhecer que ser salvo é entrar em sintonia com a própria natureza de quem nos criou. A bondade de Deus é o motor que impulsiona cada etapa do processo de livramento espiritual do jovem cristão. Portanto, ao aceitar este convite, você se torna um participante das promessas eternas que garantem o seu resgate.
OBJETIVOS
CONHECER o Deus que se revela como Salvador e cheio de bondade;
EXPLICAR a salvação como prova do amor de Deus;
APONTAR a santidade do Deus que salva.
INTERAÇÃO
Nesta lição, estudaremos a respeito da natureza do Deus Salvador, que tomou a iniciativa de redimir a raça humana, “não por causa de quem nós éramos, mas por causa de quem Deus é. Não para nos manter como somos, mas para nos transformar, para nos tornar novas criaturas”.
Você, professor(a), já parou para pensar que essa transformação gera em nós um viver santo, como reflexo dessa nova vida que passamos a experimentar? Foi por meio do grande amor de Deus, revelado em Cristo Jesus, que passamos a ter “entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes” (Rm 5.2).
Após receber as dádivas deste grande amor, somos orientados a não ficar com ele apenas para nós. Sabemos que somos amados. Podemos contar aos outros. Mas como eles podem saber que o amor de Deus é real? Somos convidados a compartilhar desse amor com outras pessoas. Você tem feito isso? Tem estimulado seus alunos a fazerem o mesmo?
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), seus alunos precisam saber que a salvação é operada pela Trindade. Nesta lição eles verão como o Pai está presente nesta obra, e nas lições seguintes aprenderão a respeito do papel do Filho e do Espírito Santo. Além do corpo humano de Cristo conter a essência de Deus, é graças ao amor do Pai que todo o processo de salvação teve início.
Neste sentido, não podemos, em um só minuto, duvidar deste grande amor. Sabemos que Ele é real, pois “Cristo… morreu… pelos ímpios” (Rm 5.6-8). Quem daria a sua própria vida por uma pessoa má? Neste trecho bíblico, “Paulo respondeu que há provas objetivas e subjetivas do amor de Deus.
A cruz de Cristo se levanta na história, lançando a sua sombra sobre todos os séculos, uma prova vívida e inequívoca de que Deus realmente nos ama! Embora uma pessoa incomum possa dar sua vida para salvar um homem verdadeiramente bom, Jesus Cristo deu sua vida para nos salvar, apesar do fato de sermos pecadores. Pode haver ocasiões em que você e eu não conseguimos sentir o amor de Deus.
Mas não precisa existir uma ocasião em que duvidamos dEle. Precisamos apenas olhar para o Calvário e lembrar por que Jesus morreu.” Seus alunos precisam ser incentivados a desenvolver um relacionamento real e pessoal com aquEle que nos amou primeiro. Faça uma oração de agradecimento a Deus pela salvação que nos alcançou como resultado deste grande amor. (Adaptado de Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.771).
TEXTO BÍBLICO
Salmos 105.5,6; 34.8,9; Lucas 18.18,19; Romanos 5.6-8.
Salmos 105
5 — Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos da sua boca,
6 — vós, descendência de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos.
Salmos 34
8 — Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.
9 — Temei ao Senhor, vós os seus santos, pois não têm falta alguma aqueles que o temem.
Lucas 18
18 — E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
19 — Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.
Romanos 5
6 — Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
7 — Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.
8 — Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
COMENTÁRIO DA LIÇÃO
INTRODUÇÃO
Nesta lição, vamos estudar a natureza do Deus que se revela como Salvador – um Deus que redime, é cheio de bondade e que, por meio de Jesus, se mostra como o Deus que salva. Também vamos refletir sobre a natureza amorosa dEle, pois é nesse amor que está fundamentada toda a história da salvação. E, por fim, vamos aprender sobre a santidade do Deus Salvador. Nosso propósito aqui é mostrar que, por meio de sua bondade, amor e santidade, o Deus revelado na Bíblia deseja se relacionar conosco, pecadores, que fomos alcançados por seu maravilhoso amor.
Comentário da Palavra Forte de Deus
Nesta lição, iniciamos uma investigação exegética sobre a essência do Criador que se manifesta como o Redentor da humanidade. Você deve compreender que a salvação não é um evento isolado, mas a expressão máxima de um Deus que redime e preenche a história com Sua benevolência transformadora. Esta ação divina revela que o Senhor não é um observador distante, mas um agente ativo que intervém na ruína humana para oferecer bondade, benignidade, benevolência, afabilidade, magnanimidade.
Ademais, refletiremos sobre a natureza carinhosa do Altíssimo, pois é nesse alicerce afetivo que toda a narrativa soteriológica está fundamentada. Olhando por esse ângulo, você percebe que a história da salvação é, em última análise, uma história de afeição profunda que busca resgatar o que se havia perdido. O Senhor utiliza o Seu amor, afeto, carinho, estima, dileção para traçar um caminho de volta ao lar espiritual, garantindo que nenhum pecador arrependido fique sem amparo.
Portanto, o propósito deste estudo é demonstrar como a pureza moral do Deus Salvador deseja se conectar conosco, apesar da nossa condição decaída. Através da convergência entre a misericórdia e a justiça, somos alcançados por um plano que visa restaurar a nossa dignidade e comunhão plena com o Pai. Assim, ao final desta jornada, você estará mais consciente da santidade, pureza, sacralidade, retidão, integridade d’Aquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
1. O DEUS QUE SE REVELA COMO SALVADOR
1.1 A história da salvação mostra Deus como o Redentor.
Desde Gênesis, Deus se revela como o Redentor que toma a iniciativa de colocar em prática um plano de salvação para derrotar o mal e restaurar o relacionamento do ser humano com Ele (Gn 3.15).
Nesse sentido, o Salmo 105 nos convida a contemplar essa característica redentora de Deus por meio de suas maravilhas, prodígios e juízos em favor do seu povo, Israel (vv.5,6). Esse é o Deus que redime pecadores. É maravilhoso saber que, mesmo nós não sendo merecedores, o Eterno Redentor se importa conosco.
Por isso, Ele tomou a iniciativa de agir com bondade e misericórdia para com o seu povo. É justamente essa natureza misericordiosa e bondosa de Deus que revela o seu amor por nós. A bondade redentora de Deus, declarada desde o início, também é percebida em sua fidelidade, como vemos no Salmo 34.
Comentário da Palavra Forte de Deus
Desde o Protoevangelho em Gênesis, o Senhor se apresenta como o Redentor que assume a responsabilidade de resgatar o Seu povo. Você deve notar que a iniciativa de derrotar o mal e restaurar o relacionamento desfeito partiu exclusivamente do trono da graça, evidenciando um plano arquitetado antes da fundação do mundo. Deus utiliza o sacrifício e a promessa para efetivar a nossa redenção.
O Salmo 105 nos convoca a meditar nas intervenções de Deus em favor de Israel, servindo como um memorial de Sua fidelidade. Ao contemplar os prodígios e juízos divinos, percebemos que o Eterno se importa com criaturas que, por mérito próprio, nada receberiam. O Senhor manifesta Suas maravilhas, para provar que a Sua aliança é inabalável e centrada em Sua própria glória.
Essa natureza misericordiosa é o que define o caráter do nosso Salvador em relação aos pecadores. A bondade redentora de Deus é percebida na constância com que Ele busca o desgarrado e sustenta o abatido em sua caminhada de fé. Assim, o reconhecimento dessa postura divina nos leva a uma adoração profunda, baseada na gratidão por Sua iniciativa.
2. Deus é bom e digno de confiança.
O Salmo 34 nos convida a experimentar a bondade divina e, como resultado, a felicidade alcança aquele que confia nEle (v.8). Quando provamos da sua bondade e nos entregamos a Ele com plena confiança, o temor do Senhor — uma atitude que caracteriza a verdadeira sabedoria espiritual (Pv 1.7) — passa a fazer parte da nossa vida.
Assim, passamos a conhecer, de fato, o Deus da Bíblia: um Deus bom, confiável e digno de temor. É exatamente dessa maneira que o Novo Testamento apresenta a salvação, como resultado da bondade e das misericórdias divinas: “Mas, quando apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens” (Tt 3.4), fomos alcançados por sua obra salvadora — não por méritos ou esforços humanos, mas por sua iniciativa amorosa e cheia de graça (Tt 3.5). Como é clara a natureza generosa, bondosa e misericordiosa do nosso Deus!
Comentário da Palavra Forte de Deus
O convite do Salmista para “provar e ver” a bondade divina sugere uma verificação empírica da fidelidade do Senhor no cotidiano. Você deve entender que a felicidade bíblica não é um estado emocional passageiro, mas a segurança de quem depositou sua existência no cuidado do Todo-Poderoso. Essa experiência gera uma bondade, retidão, excelência, perfeição, amabilidade que sustenta a alma nos dias de adversidade.
Ademais, quando experimentamos esse favor imerecido, o temor do Senhor torna-se o norte da nossa sabedoria espiritual. O Novo Testamento ratifica que a salvação apareceu através da benignidade de Deus, nosso Salvador, sem qualquer dependência de obras humanas de justiça.
Portanto, a natureza generosa do nosso Deus é o que torna o Evangelho uma mensagem de esperança inigualável para o mundo. Ao compreendermos que a salvação é um presente da graça, abandonamos o peso do legalismo para viver na liberdade dos filhos de Deus. Assim, somos impulsionados a descansar na graça dAquele que começou a boa obra em nossos corações.
3. Jesus revela a natureza salvadora de Deus.
A Palavra de Deus nos mostra que, em Jesus Cristo, habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9). Não por acaso, quando o jovem rico chamou nosso Senhor de “Bom Mestre”, Jesus afirmou que somente Deus é bom (Lc 18.18,19). Com esta declaração, o Filho deu testemunho da bondade do Pai.
Aqui, contemplamos o mistério da Santíssima Trindade no testemunho do Filho a respeito do Pai. Em João 14, Jesus declarou: “Quem me vê a mim vê o Pai; […] Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” (Jo 14.9,10). Jesus, sendo a expressão plena da divindade, revela tanto a bondade quanto a natureza salvadora de Deus. É por meio dEle que a obra da salvação se manifesta, revelando o Deus da Bíblia como o Salvador da humanidade caída.
Saber que Deus se revela como Salvador nas Escrituras nos impulsiona a buscá-Lo de forma pessoal e verdadeira, não de maneira meramente religiosa ou ritualista. O Deus que salva é o mesmo que deseja ser conhecido por cada um de nós por meio de um relacionamento autêntico.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A cristologia de Colossenses 2.9 afirma que em Jesus reside corporalmente toda a plenitude da divindade, tornando-O a revelação final do Pai. Você deve observar que, ao dialogar com o jovem rico, Cristo não negou Sua própria divindade, mas direcionou o foco para a fonte absoluta de toda a virtude.
O Evangelho de João nos ensina que ver o Filho é o mesmo que contemplar a face do Pai, revelando a unidade perfeita da Trindade. O mistério da encarnação é a prova cabal de que Deus desejava se mostrar como o Salvador da humanidade de forma tangível e relacional. O Senhor usa o ministério de Jesus para nos dar uma revelação clara de Suas intenções redentoras.
Assim sendo, saber que Deus se revela como Salvador nas Escrituras deve nos motivar a buscar um relacionamento autêntico e pessoal com Ele. A obra da salvação não é um sistema religioso frio, mas o encontro do Criador com a Sua criatura através da pessoa bendita de Jesus. Portanto, você deve rejeitar o ritualismo vazio para abraçar o Salvador que oferece vida eterna.
SUBSÍDIO I
“Fp 2.5. QUE HAJA EM VÓS O MESMO SENTIMENTO.
A atitude de Cristo foi o que Paulo descreveu aqui — completa abnegação, servidão e sacrifício que coloca as necessidades dos outros antes das suas próprias. Agora Paulo passa a descrever especificamente como Jesus demonstrou esta atitude para conosco. Paulo enfatiza como Jesus deixou a glória incomparável no céu e tomou a posição humilhante de servo. Ao fazer isso, Ele obedeceu ao plano de Deus a ponto de dar a sua própria vida em benefício alheio (vv.5-8).
Seu sacrifício nos deu a única oportunidade que temos de ser libertos da morte espiritual e forneceu o dom supremo da vida eterna para aqueles que aceitam seu perdão e confiam suas vidas a Ele. Como seguidores de Cristo, devemos demonstrar a sua humildade, vivendo sem egoísmo e de modo sacrificial, cuidando das necessidades e preocupações dos outros e fazendo o bem a eles.”
“Fp 2.6. SENDO EM FORMA DE DEUS.
Jesus Cristo é o Filho de Deus, em sua própria natureza de Deus, e, portanto, igual ao Pai antes, durante e depois de seu tempo na terra (veja Jo 1.1; 8.58; 17.24; 20.28; Cl 1.15,17; Mc 1.11; Jo 20.28), em outras palavras, Jesus é, foi e sempre será Deus. O fato de Cristo não ter tido ‘por usurpação ser igual a Deus’ significa que Ele voluntariamente abriu mão de seus privilégios e glória no céu, a fim de viver na Terra como um homem e dar a sua vida para que fôssemos salvos.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1661).
2. A SALVAÇÃO COMO PROVA DO AMOR DE DEUS
1. A salvação como ato de amor.
Romanos 5 descreve a morte de Cristo, o Justo, no lugar dos ímpios (Rm 5.6) e revela o ato mais amoroso de Deus: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Deus entregou seu Filho único por amor. Ele não o entregou depois que fomos justificados, regenerados e santificados; pelo contrário, Ele o entregou quando ainda estávamos “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Ora, se isso não é amor, então o que seria? Esse é o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta — um amor sofredor, bondoso, verdadeiro (1Co 13.4-7).
Comentário da Palavra Forte de Deus
O apóstolo Paulo utiliza em Romanos 5 o termo agape para descrever um amor que não se baseia no mérito do objeto amado, mas na natureza de quem ama. Você deve observar que Cristo morreu pelos ímpios, ou seja, por aqueles que eram hostis à Sua santidade. Essa ação demonstra que a salvação é um movimento unilateral e sacrificial da parte do Criador em favor de criaturas rebeldes.
Além disso, o texto enfatiza que Deus entregou Seu Filho quando ainda estávamos mortos em nossos delitos. Diferente das afeições humanas, o Senhor não esperou a nossa regeneração para demonstrar Seu favor, mas agiu no auge da nossa depravação espiritual. Olhando por esse ângulo, você percebe que o Calvário é a prova definitiva de um compromisso que tudo suporta para resgatar o pecador.
Portanto, a salvação deve ser compreendida como o ápice da bondade divina manifesta na história. Esse amor sofredor e verdadeiro, descrito em 1 Coríntios 13, é o que sustenta a segurança eterna do jovem cristão. Assim, ao contemplar a cruz, você é convidado a descansar na certeza de que foi amado com uma intensidade que transcende qualquer lógica terrena.
2. O amor de Deus se manifestou na cruz.
A doutrina do amor de Deus é o fundamento da obra da salvação. Como pentecostais, afirmamos com convicção: o que motivou o envio de Jesus Cristo à cruz foi o incomparável amor de Deus. A Bíblia declara: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
Esse amor é tão grande e profundo que abrange todas as pessoas — todas mesmo! O apóstolo Paulo reforça isso ao dizer que Deus “quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm 2.4). O amor de Deus é acolhedor, misericordioso e universal. Ele não faz acepção de pessoas.
O apóstolo João, conhecido como o “apóstolo do amor”, explica isso ainda mais claramente: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10). Aqui, duas verdades bíblicas precisam ser afirmadas com clareza: a) Deus amou todos os pecadores; b) Por esse amor, Ele enviou seu Filho como sacrifício no lugar dos pecadores.
Essa é a essência da morte vicária de Jesus — Ele morreu em nosso lugar. Isso não foi um ato de injustiça, mas de misericórdia. É um mistério glorioso da salvação: no Calvário, o amor divino se encontrou com a morte, para que os pecadores pudessem viver.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A doutrina do amor divino encontra seu ponto culminante no conceito de morte vicária, onde Jesus atua como nossa propiciação. Você deve entender o entendimento de que a cruz não foi apenas um martírio, mas o local onde Cristo satisfez a justiça de Deus em nosso lugar. O Senhor utiliza o sacrifício do Seu Unigênito para garantir que todo aquele que n’Ele crer receba a vida eterna.
Ademais, a Bíblia declara que o desejo salvífico de Deus é universal, abrangendo todas as pessoas sem acepção. O termo grego houtos em João 3:16 indica a intensidade incomensurável dessa entrega, revelando que o amor do Pai é acolhedor e misericordioso. Deus não deseja a perdição de ninguém, mas empenha Sua própria glória para que todos venham ao conhecimento da verdade.
O mistério da salvação reside no encontro entre a justiça punitiva e o amor perdoador no Calvário. Jesus assume a nossa sentença para que pudéssemos herdar a Sua herança, transformando a maldição em bênção. Assim, a morte de Cristo torna-se a fonte de vida abundante para a humanidade caída, revelando a essência do caráter redentor do Altíssimo.
3. Respondendo ao amor de Deus com gratidão.
Para o cristão, expressar gratidão pela salvação é mais do que palavras bonitas ou momentos emocionantes na igreja — é viver com propósito, identidade e sentido em Cristo todos os dias. É reconhecer que Deus nos amou primeiro, mesmo quando não merecíamos (Rm 5.8), e responder a esse amor com escolhas que honrem o sacrifício de Jesus.
A gratidão verdadeira se mostra no comportamento: nas decisões que tomamos, nas amizades que cultivamos, na maneira como lidamos com as tentações e na disposição em servir a Deus e ao próximo. Como escreveu o apóstolo João: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). O amor de Deus não apenas nos alcança — ele nos transforma. Nossa rotina, nossas redes sociais, nossas atitudes, tudo em nós tem refletido essa gratidão?
Comentário da Palavra Forte de Deus
A resposta do crente ao favor imerecido deve ser a eucharistia, uma gratidão que transborda em atitudes concretas e não apenas em palavras. Você deve entender que amar a Deus é uma reação direta ao fato de termos sido amados por Ele primeiro, conforme ensina o apóstolo João. Esta ação transformadora deve moldar a sua identidade e dar um novo sentido à sua caminhada diária.
Além disso, a gratidão verdadeira manifesta-se nas escolhas éticas e nas amizades que cultivamos no cotidiano. O Senhor utiliza o nosso comportamento como um termômetro da nossa saúde espiritual e da nossa fidelidade ao sacrifício de Jesus. Viver com propósito significa honrar o Redentor em todas as esferas, desde as conversas privadas até a postura nas redes sociais.
Portanto, o amor de Deus não apenas nos alcança na lama do pecado, mas nos eleva para uma vida de serviço e adoração. Você é desafiado a refletir se as suas decisões atuais estão em harmonia com a dignidade da sua vocação em Cristo. Assim, a gratidão torna-se o motor que impulsiona o jovem a rejeitar as tentações e a brilhar como luz em um mundo em trevas.
SUBSÍDIO II
Professor(a), explique aos alunos que Jesus “aniquilou-se a si mesmo” (Fp 2.7). “Esta frase em grego corresponde a ekenōsen (verbo kenoō, derivado de kenos, ‘vazio, vão’), que literalmente significa ‘ele esvaziou-se’. Isso não significa que Jesus renunciou sua divindade (isto é, a sua natureza plena como Deus), mas que voluntariamente deixou de lado suas prerrogativas como Deus, incluindo sua glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (2Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o uso de seus atributos como Deus (Jo 5.19; 8.28; 14.10). Esse esvaziamento não significou apenas uma suspensão voluntária de suas capacidades e privilégios como Deus, mas também a aceitação do sofrimento humano, maus tratos, ódio e, em última instância, a maldição da morte na cruz.” (Bíblia de Estudo Pentecostal Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.2199).
III. A SANTIDADE DO DEUS QUE SALVA
1. Deus é absolutamente santo.
A Bíblia revela que uma das características fundamentais de Deus é sua santidade. No livro do profeta Isaías, lemos a proclamação dos anjos: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). O apóstolo Pedro escreve em sua Primeira Epístola: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15).
Esse chamado à santidade está diretamente relacionado à própria natureza santa de Deus, como está escrito: “Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16; cf. Lv 11.44). Portanto, o chamado de Deus à santidade não é apenas uma sugestão, mas algo que reflete quem Ele é. Ora, Deus é amor, mas também é absolutamente santo.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A revelação bíblica estabelece a santidade como a característica fulcral e transcendente do Criador, utilizando o termo hebraico Qadosh para indicar Sua total separação do mal. No registro de Isaías, a proclamação angelical do “Santo, Santo, Santo” utiliza o recurso da repetição tripla para enfatizar a pureza absoluta e infinita do Senhor dos Exércitos. Você deve notar que essa natureza não é um atributo opcional, mas a própria essência que define quem Ele é e como Ele governa todo o universo.
Desta maneira, o apóstolo Pedro resgata o imperativo de Levítico para mostrar que o chamado à santidade é uma extensão direta do caráter divino sobre a vida do salvo. Ser “santo em toda a maneira de viver” significa que a nossa conduta deve espelhar a luz dAquele que nos resgatou das trevas espirituais.
Dessa forma, entendemos que o Deus que é Amor é também o Deus que é Fogo Consumidor em Sua retidão. A santidade atua como a baliza de todas as outras perfeições divinas, garantindo que Sua misericórdia nunca comprometa a Sua justiça. Sob esta ótica, você é convidado a adorar ao Altíssimo não apenas por Sua bondade, mas pela beleza de Sua perfeição moral que preenche toda a terra com Sua glória.
1. A salvação é um chamado à santidade.
A obra de salvação não inclui apenas o perdão dos pecados, mas um chamado à transformação completa da vida. É um chamado positivo à santidade da vida (Rm 6.22). A doutrina bíblica da salvação ensina que, ao sermos alcançados pela graça, experimentamos o que muitos estudiosos chamam de santidade posicional, ou seja, refere-se à condição de santos que o salvo recebe no momento em que a salvação é operada (1Co 1.2; Hb 10.10).
Essa é uma realidade imediata e completa, vinda direta e exclusivamente de Deus. Além dessa realidade, há outra denominada de “santidade progressiva”, que se refere ao processo contínuo de transformação interior operada pelo Espírito Santo ao longo da caminhada espiritual (2Co 3.18; Fp 2.12,13). Essa é uma realidade paulatina que exige uma cooperação do crente nesse desenvolvimento espiritual. Nesse sentido, é uma decisão do salvo escolher andar com Deus todos os dias, optando por obedecer à sua Palavra mesmo quando o mundo diz o contrário.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A obra redentora ultrapassa o perdão jurídico para iniciar uma transformação na existência do ser humano alcançado pela graça. No momento da conversão, você experimenta a santidade posicional, baseada no termo grego Hagios, onde o crente é legalmente separado e declarado santo diante de Deus por causa de Cristo.
Nesta senda, a vida cristã desenvolve-se através da santidade progressiva, um processo dinâmico descrito por Paulo como uma transformação de “glória em glória”. Diferente da fase inicial, esta etapa exige a sua cooperação ativa e a obediência voluntária às Escrituras sob a orientação do Espírito Santo. O Senhor utiliza as circunstâncias do dia a dia para moldar o seu interior, eliminando os resquícios da natureza caída e fortalecendo o novo homem criado em justiça.
Dentro dessa perspectiva, a santificação torna-se a evidência visível de uma salvação autêntica e operante no coração do jovem cristão. Optar por andar com Deus exige renunciar aos apelos de um mundo que jaz no maligno, mantendo o foco na meta da semelhança com o Filho. Logo, o desenvolvimento espiritual é uma jornada de fé onde a disciplina e a devoção caminham juntas para produzir frutos que permanecem para a eternidade.
A cruz: o encontro da justiça e do amor de Deus e o caminho para a santidade.
A cruz de Cristo é o maior marco da história da salvação. Nela, a justiça de Deus e o seu amor infinito se encontram de forma perfeita, preparando e apontando o caminho da santidade. Deus é santo e não pode tolerar o pecado (Hc 1.13), mas também é amor, e deseja salvar o pecador (Jo 3.16). Na cruz, vemos que o pecado não foi ignorado, pelo contrário, ele foi julgado com todo o peso da justiça divina.
Jesus, o Cordeiro sem mancha, tomou sobre si a culpa que era nossa (Is 53.5). Ao mesmo tempo, esse sacrifício revela o quanto Deus nos ama, ao ponto de entregar seu Filho por nós. A cruz mostra que a salvação não é barata: ela custou o sangue de Cristo. Ali, Deus permanece justo ao punir o pecado e, ao mesmo tempo, é amoroso ao justificar o pecador que crê em Jesus (Rm 3.26). O madeiro é, portanto, o ponto onde a santidade de Deus exige justiça, e o amor de Deus oferece graça.
Comentário da Palavra Forte de Deus
O Calvário representa o Kairós geográfico e espiritual onde os atributos aparentemente conflitantes do Senhor se harmonizaram de forma absoluta. Por ser Justo, Deus não poderia simplesmente ignorar a transgressão humana, pois Sua santidade exige a punição do pecado conforme Habacuque 1.13. Por outro lado, Seu infinito amor (Agape) buscou um meio de resgatar o transgressor sem violar a lei moral que sustenta o trono da divindade.
Nesse sentido, Jesus Cristo se apresentou como o Cordeiro imaculado que absorveu em si todo o peso da ira divina que nos era destinada. A cruz revela que o preço do nosso resgate foi o sangue precioso do Filho, provando que a graça não é barata, mas custou a vida do Messias. O Senhor usou o sacrifício vicário para que a dívida fosse paga, permitindo que a santidade fosse satisfeita enquanto o amor era totalmente derramado.
Assim sendo, o madeiro é o monumento eterno que proclama a vitória do Plano Perfeito sobre o caos da queda. Ali, Deus permanece justo ao condenar o erro e amoroso ao justificar o pecador que deposita sua confiança em Jesus. Por esta via, o caminho para a santidade foi reaberto, garantindo que todo aquele que crê possa se aproximar do trono da graça com plena convicção de aceitação.
SUBSÍDIO III
“Fp 2.12. OPERAI A VOSSA SALVAÇÃO. Embora sejamos espiritualmente salvos pela graça de Deus — seu favor, amor e capacitação imerecidos —, devemos continuar a trabalhar a nossa salvação até o fim (cf. Mt 24.13; Hb 6.11). Precisamos terminar nossa corrida (1Co 9.24-27) e completar fielmente nossa jornada na terra. Se não conseguirmos fazer isso, perderemos a salvação que nos foi dada.
(1) Isto não implica uma tentativa de obter a salvação ou o favor de Deus através das obras. Pelo contrário, é uma expressão da nossa salvação através do crescimento espiritual e do desenvolvimento contínuo. A salvação não é apenas um dom recebido de uma vez por todas; ela é vivida e realizada através de um processo contínuo de entrega a Cristo e de seguir os seus propósitos. Isso muitas vezes exige muita determinação, de modo que devemos perseverar e amadurecer espiritualmente (1Co 9.24-27; 2Pe 1.5-8).
(2) Assim como não somos salvos através de boas obras (Ef 2.8,9; Tt 3.5), não desenvolvemos a nossa salvação através de esforços meramente humanos. Pelo contrário, devemos continuar a confiar nas mesmas coisas que nos trouxeram a salvação em primeiro lugar: a graça de Deus (isto é, seu favor, amor e capacitação imerecidos) e o poder do Espírito que nos foi dado.
(3) A fim de desenvolver a nossa salvação, devemos resistir à tentação e ao pecado (isto é, nossos próprios caminhos que desafiam a Deus) e seguir os desejos do Espírito Santo dentro de nós. Isto envolve um esforço sustentado para usar todos os meios disponíveis dados por Deus para derrotar o maligno e experimentar a vida de Cristo. Isso faz parte do processo de santificação — o processo de ser espiritualmente purificado, refinado e separado para os propósitos de Deus, e como sua propriedade, através de crescimento e do desenvolvimento espirituais contínuos.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1662).
CONCLUSÃO
A Bíblia revela que Deus é, ao mesmo tempo, amoroso e santo, Ele não apenas exige santidade, mas é a própria santidade. E, mesmo sendo santo, não nos rejeitou por causa do pecado. Pelo contrário, foi por amor que providenciou, em Cristo, o caminho de volta. O pecado afastou a humanidade do Deus Criador, mas a cruz abriu a porta do regresso. A santidade não é apenas um padrão moral, mas uma resposta de amor a um Deus que, sendo santo, decidiu nos amar até o fim. Ter uma vida em santidade é responder positivamente ao amor do Deus que salva.
Comentário da Palavra Forte de Deus
A Escritura revela que a essência do Criador é uma síntese perfeita entre o amor e a pureza, evidenciando que Ele não apenas prescreve a retidão, mas é o próprio padrão do que é santo. Diferente do que a lógica humana poderia supor, a Sua transcendência absoluta não O levou a repelir a humanidade decaída.
A cruz de Cristo surge como o ponto de convergência onde o abismo cavado pela transgressão foi finalmente superado pela iniciativa do Pai. A obra realizada na cruz abriu a porta do regresso, transformando a sentença de exclusão em um convite de reconciliação para todos os que creem.
Em última análise, a busca pela santificação deve ser compreendida pelo jovem cristão como uma resposta de gratidão ao amor divino, e não como um fardo legalista. Viver de forma separada do pecado é a maneira mais autêntica de retribuir ao Senhor que, sendo perfeito, decidiu nos acolher em nossa imperfeição.
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