A Expansão do Território Redimido Obadias 1.19

A Expansão do Território Redimido Obadias 1.19
Texto Bíblico: “E os do sul possuirão o monte de Esaú, e os das planícies, os filisteus; possuirão também os campos de Efraim e os campos de Samaria; e Benjamim possuirá a Gileade.” Obadias 1:19
Introdução: A Geografia da Restauração
Partindo agora para a dimensão geográfica da promessa, o versículo 19 descreve a retomada e a ampliação das fronteiras de Israel. Após o fogo do juízo consumir a soberba de Edom, Deus estabelece um novo mapa para o Seu povo. Não se trata apenas de voltar para casa, mas de ocupar espaços que antes eram dominados pela idolatria e pela inimizade. Para compreendermos a amplitude desta posse, analisaremos três elementos cruciais:
- 1) A Conquista do Sul: “E os do sul possuirão o monte de Esaú”
- 2) A Ocupação das Planícies e Campos: “e os das planícies, os filisteus; possuirão também os campos de Efraim e os campos de Samaria”
- 3) A Extensão Além do Jordão: “e Benjamim possuirá a Gileade”
1) “E os do sul possuirão o monte de Esaú”
Em primeiro plano, o profeta identifica “os do sul” (Negev), que se refere aos habitantes da região árida ao sul de Judá. Há uma justiça poética aqui: aqueles que habitavam em terras secas e menos privilegiadas são os que herdarão o “monte de Esaú”. O verbo “possuirão” (yarash) reaparece para enfatizar a expulsão definitiva dos antigos moradores e a transferência legal da propriedade para o povo da aliança.
Paralelamente, a subida dos habitantes do sul para o monte de Esaú simboliza a reversão total da história. O monte, que outrora era o símbolo da arrogância e da segurança de Edom, torna-se agora uma extensão do território de Israel. Desse modo, o texto ressalta que Deus não apenas remove o inimigo, mas entrega o espólio da vitória nas mãos daqueles que permaneceram fiéis durante a prova no deserto.
Dessa forma, aprendemos que Deus recompensa a perseverança no deserto com a posse das alturas. O sul era um lugar de escassez, mas tornou-se o ponto de partida para a expansão. Isso nos mostra que o Senhor utiliza as áreas mais difíceis da nossa vida para nos preparar para as maiores conquistas. Onde antes Edom zombava da aridez de Judá, agora Judá estabelece o seu governo.
Sob essa ótica, entenda que o seu tempo de “deserto” ou de “escassez” não é o seu fim. Deus está treinando você para ocupar lugares altos. Nesse sentido, não despreze os dias de pouca coisa no seu “sul” espiritual, pois é desse lugar que o Senhor te levantará para possuir o que antes parecia inalcançável. Prepare-se para administrar a abundância que Deus prometeu.
2) “e os das planícies, os filisteus; possuirão também os campos de Efraim e os campos de Samaria”
Prosseguindo na análise, o texto aponta para a região da Sefelá (as planícies costeiras), que historicamente era dominada pelos filisteus. A promessa de ocupação se estende também para o norte, alcançando Efraim e Samaria. Sendo assim, a profecia declara a reunificação completa da terra sob o governo de Deus, removendo tanto os inimigos externos (filisteus) quanto as divisões internas que Samaria representava.
Outro ponto relevante é o uso do termo “campos” (sadeh), que remete a áreas produtivas e agrícolas. Possuir os campos de Efraim e Samaria significa o retorno à produtividade e à provisão divina. O juízo de Deus limpa a terra da influência estrangeira e da apostasia, permitindo que o Seu povo volte a cultivar o que é santo. Com isso, o mapa da promessa é restaurado em sua plenitude original, sem as manchas da ocupação inimiga.
É fundamental notar que a restauração de Deus é abrangente. Ele não restaura apenas uma parte; Ele quer o território inteiro. Quando o texto menciona os filisteus e Samaria, está dizendo que Deus removerá tanto a oposição violenta quanto a influência religiosa distorcida. A posse dos campos representa uma vida de paz e sustento onde antes havia guerra e disputa.
Em face disso, permita que Deus expanda o governo dEle sobre todas as áreas da sua vida. Às vezes entregamos o nosso “monte”, mas deixamos que os “filisteus” dominem as nossas “planícies” (nossas emoções, rotina ou finanças). Por conseguinte, o desafio de hoje é expulsar todo invasor que tenha ocupado áreas da sua história que pertencem ao Senhor. Tome posse da paz e da produtividade que Ele te deu.
3) “e Benjamim possuirá a Gileade”
Por fim, o versículo encerra com a tribo de Benjamim cruzando o Jordão para possuir Gileade, uma região montanhosa e fértil a leste do rio. Benjamim era a menor das tribos, mas aqui recebe uma das regiões mais vastas e ricas. Dessa maneira, isso aponta para a generosidade da distribuição divina: até os menores na casa de Deus receberão porções generosas na restauração final.
Além disso, Gileade era famosa por seu bálsamo e suas pastagens. A posse dessa região por Benjamim simboliza que o livramento de Sião se transborda para além das fronteiras naturais. Dessa maneira, a restauração não é apenas defensiva ou local; ela é expansiva e transbordante. O decreto de Obadias garante que nenhum palmo da terra prometida ficará nas mãos dos ímpios, pois Deus faz com que até o “menor” herde o “melhor”.
Em última análise, a vitória de Benjamim sobre Gileade nos ensina que no Reino de Deus não há favoritismo, mas há justiça e fartura para todos os que fazem parte da família da fé. O que era um limite intransponível (o rio Jordão) torna-se apenas uma passagem para a nova herança. A história termina com o povo de Deus ocupando cada canto da promessa, transformando lugares de conflito em lugares de descanso.
Diante de tudo isso, não se sinta diminuído se você se considera “pequeno” como Benjamim. A sua herança em Deus não depende do seu tamanho, mas da fidelidade dEle. Portanto, prepare-se para romper limites e atravessar os seus “rios” de dificuldade. Assim, o que Deus tem preparado para você é maior do que o espaço que você ocupa hoje. Creia na expansão que o Senhor está operando em sua história.
Conclusão
Em suma, o versículo 19 de Obadias é o mapa da vitória. Vimos que o Senhor reverte a escassez do sul, retoma as planícies dos inimigos e entrega abundância até aos menores. A geografia da sua vida está nas mãos do Grande Arquiteto. Portanto, que possamos viver com a mentalidade de possuidores, sabendo que em Cristo, toda “herdade” que nos foi prometida será devidamente entregue.
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