Lição 7: A Graça de Deus


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD


JOVENS

1º Trimestre de 2026

Título: Plano Perfeito — A salvação da Humanidade, a mensagem central das Escrituras


Autor: Marcelo Oliveira

Autor: Palavra Forte de Deus

Comentário: Palavra Forte de Deus


Lição 7: A Graça de Deus

Data: 15 de fevereiro de 2026


TEXTO PRINCIPAL


Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2.8,9).


Comentário da Palavra Forte de Deus


O Texto Principal revela a base inabalável da sua jornada com Deus: a salvação pela graça. Você precisa compreender que o seu resgate espiritual não foi uma conquista do seu esforço, mas um presente imerecido, entregue por meio da fé. Essa verdade liberta você da ansiedade de tentar “comprar” o favor divino, pois o preço já foi pago integralmente por Cristo na cruz, restando a você apenas a decisão de crer e receber esse dom de Deus (Ef 2.8).

Essa realidade anula qualquer motivo de orgulho próprio, pois ela deixa claro que ninguém pode se gloriar de sua própria bondade diante do Criador. Quando você aceita que a salvação não vem das suas obras, o seu coração se enche de uma gratidão profunda que transforma a sua maneira de ver o mundo. Você passa a viver não para ser aceito, mas porque já foi aceito pelo Pai, tornando-se livre para servir com um coração leve e cheio de alegria.

Viver essa graça é a prova de que as correntes do seu passado foram quebradas para sempre. Agora, a vida de Deus pulsa em você, capacitando-o a vencer o que antes o dominava. Cada decisão sua de caminhar na verdade é um grito de liberdade, confirmando que você serve a um novo Senhor. Não aceite uma vida comum: você nasceu de novo para brilhar e manifestar o poder de Cristo em cada passo!


RESUMO DA LIÇÃO


A salvação pela graça é um presente imerecido de Deus, que transforma o cristão para que viva refletindo essa graça em boas obras, amor, perdão e serviço aos outros.


Comentário da Palavra Forte de Deus


O Resumo da Lição reforça que a salvação pela graça é o presente mais valioso que você já recebeu em toda a sua existência. Esse ato imerecido de Deus é o que gera em você uma transformação radical, mudando o seu interior para que a sua vida passe a ser um espelho da bondade divina. Você não é apenas salvo “de algo” (da condenação), mas é salvo “para algo”: para viver uma nova história onde a luz de Deus brilha intensamente através de você.

Essa transformação se manifesta no seu dia a dia por meio de boas obras, amor genuíno, perdão e serviço ao próximo. Entenda que essas ações não são a causa da sua salvação, mas o fruto inevitável e natural dela. Quando você perdoa quem o feriu ou serve com dedicação, você está simplesmente transbordando a mesma graça que recebeu de Deus. Sua vida torna-se um canal por onde o amor do Pai alcança outras pessoas, provando que a sua fé é real.

Viver essa nova realidade é a garantia de que a sua identidade foi totalmente restaurada pela graça. Agora, a vida de Deus capacita você a superar os velhos hábitos e a refletir o caráter de Cristo em cada detalhe do seu cotidiano. Cada escolha sua pela integridade confirma que você pertence a um Reino inabalável. Não aceite menos do que a plenitude: você nasceu de novo para brilhar e manifestar o poder transformador de Deus em cada passo da sua jornada!


OBJETIVOS


COMPREENDER a maravilhosa graça na obra da salvação;

REFLETIR a respeito da graça de Deus e as obras;

MOSTRAR as implicações da graça na vida cristã.


INTERAÇÃO


Prezado(a) professor(a), nesta lição estudaremos a respeito da graça de Deus e como ela se manifesta na obra da salvação. É o Pai Celestial dando ao ser humano aquilo que ele não merece: o perdão dos pecados, a salvação e uma nova vida em Cristo. É dessa forma que nos tornamos cristãos, “pelo favor não merecido que recebemos de Deus, e não pelo resultado de qualquer esforço, capacidade, inteligência, ato ou serviço oferecido por nós.

Entretanto, como prova de gratidão por essa dádiva tão graciosamente recebida, devemos ajudar nosso próximo com bondade, amor e carinho, sem a intenção de meramente fazer um favor. Embora nenhuma obra ou trabalho possa nos ajudar a alcançar a salvação, o propósito de Deus é que ela resulte também em atos de prestação de serviço.

Não somos salvos simplesmente para ter um benefício, mas para servir a Cristo e edificar a Igreja”. (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal). Que venhamos também a agir com graça para amar, para perdoar e para servir. Esse dom imerecido deve impactar profundamente a nossa vida em todas as áreas.


ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA


Professor(a), dê início ao conteúdo da aula fazendo a seguinte pergunta: “Você já recebeu algo que não merecia? Como se sentiu?”. Isso é graça. Você recebeu o dom, o presente da salvação que não é conquistado por merecimento, mas recebido pela fé. E o que fazemos com esse presente?

“Quando alguém nos dá um presente dizemos ‘Que bonito! Quanto lhe devo?’. É claro que não. ‘Obrigado(a)’ é a resposta adequada.

No entanto, muitas vezes os cristãos se sentem obrigados a tentar retribuir os dons de Deus de suas próprias maneiras — até mesmo depois de receberem o dom da salvação. Pelo fato de a nossa salvação, e até mesmo a nossa fé, serem presentes (representam dádivas recebidas), devemos responder com gratidão, louvor e alegria.” (Adaptado da Bíblia Cronológica Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p.1727).

Que não sejamos como aqueles que resistem à graça de Deus e a rejeitam (Hb 12.15), vindo a recebê-la em vão e sem nenhum efeito duradouro (2Co 6.1), deixando-a de lado e desconsiderando-a (Gl 2.21) e até abandonando-a, mesmo tendo, em alguma ocasião, verdadeiramente crido e aceitado a Cristo (Gl 5.4).


TEXTO BÍBLICO


Efésios 2.1-10.


1 — E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,

2 — em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência;

3 — entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.

4 — Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,

5 — estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

6 — e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;

7 — para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas de sua graça, por sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.

8 — Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.

9 — Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

10 — Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.


COMENTÁRIO DA LIÇÃO


INTRODUÇÃO


A graça de Deus é o fundamento da salvação cristã, mas sua importância vai muito além de um evento passado. A salvação não é apenas algo que aconteceu uma vez, mas uma realidade contínua que transforma a vida do crente, moldando seus pensamentos, sentimentos e ações. Entender a graça de Deus não só nos dá uma nova perspectiva sobre nossa relação com Ele, mas também impacta diretamente o nosso comportamento diário.

Nesta lição, veremos que a graça nos chama a viver em conformidade com a vontade de Deus, refletindo em nossas atitudes o amor e o perdão que recebemos. Como cristãos, somos desafiados a viver essa graça de forma prática, demonstrando-a em nosso relacionamento com os outros e em nossas decisões diárias.


Comentário da Palavra Forte de Deus


É essencial compreender que a redenção não se limita a um evento isolado no passado; trata-se de uma realidade pulsante que o transforma diariamente, moldando pensamentos, sentimentos e escolhas. Além disso, essa percepção sobre a graça oferece uma nova perspectiva acerca da sua comunhão com o Pai, impactando diretamente a sua conduta perante o mundo.

Nesta lição, ficará evidente que esse favor divino o convoca a caminhar em total harmonia com a vontade de Deus, espelhando em suas atitudes o amor e o perdão recebidos gratuitamente. Como cristão, você encara o desafio de retirar a doutrina da teoria para experimentá-la na prática, revelando essa nova natureza em seus relacionamentos. Afinal, a graça deixa de ser apenas um refúgio para se tornar o combustível da sua nova jornada.

Atualmente, a essência do Senhor flui em seu interior, tornando-o apto a superar os antigos domínios que o impediam de enxergar a verdade. Cada avanço em direção ao propósito eterno funciona como um brado de autonomia, ratificando que sua vida agora responde a um novo Soberano. Rejeite, portanto, uma trajetória comum: você renasceu para resplandecer e manifestar a autoridade de Cristo em cada instante!


I – A MARAVILHOSA GRAÇA NA OBRA DE SALVAÇÃO


1. A condição humana antes da graça (Ef 2.1-3).


Paulo começa este trecho lembrando aos efésios sobre a condição espiritual anterior à salvação. Os versículos 1 a 3 descrevem a humanidade como “mortos em ofensas e pecados”, vivendo segundo o curso deste mundo e sob o domínio do pecado. A vida sem Cristo é caracterizada por uma separação de Deus, sujeita à ira divina. Assim, a pessoa, que ainda não experimentou a Regeneração, não pode compreender nem aceitar a verdade sem a obra da graça de Deus.

Logo, do ponto de vista bíblico, devemos ter compaixão pelos pecadores que vivem na imoralidade, no orgulho e na arrogância, pois são escravos do pecado e do Diabo (Ef 2.1,5). Além disso, precisamos entender que a nossa condição antes da graça era assim. Por isso, quando reconhecemos a gravidade do nosso pecado e a morte espiritual em que estávamos, podemos valorizar a grandeza da graça de Deus. Não merecíamos nada, mas Ele nos alcançou.


Comentário da Palavra Forte de Deus


Para valorizar a luz, torna-se necessário recordar a escuridão de onde saiu: antes da redenção, sua condição era de morte espiritual, sob o domínio das ofensas e erros. Paulo descreve que, sem Cristo, havia uma separação de Deus e sujeição à justiça divina, o que o tornava incapaz de compreender a verdade por conta própria.

Consequentemente, essa consciência deve gerar em seu íntimo uma compaixão profunda por aqueles que permanecem na imoralidade, no orgulho e na escravidão espiritual. Você sabe, por experiência própria, que eles não carecem de condenação, mas do mesmo milagre que o alcançou.

Saber de onde veio funciona como a garantia de que você jamais caminhará com soberba. Atualmente, a essência do Senhor em seu ser o habilita a superar o julgamento e a fitar o próximo com os olhos da misericórdia. Cada atitude de humildade demonstra que sua vida serve a um novo Soberano e compreende o valor do resgate recebido.


2. A intervenção da graça de Deus (Ef 2.4-7).


A partir do versículo 4, Paulo muda o tom da mensagem, enfatizando a misericórdia de Deus: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, […] nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.4,5). Aqui, a graça divina é revelada como misericórdia que nasce do coração amoroso de Deus para nos arrancar da morte espiritual e nos trazer para uma nova vida em Cristo. Isso significa que a graça de Deus é a única razão pela qual passamos da morte para a vida. Esta mudança radical deve gerar gratidão em nossos corações, pois não fomos salvos por mérito próprio, mas por seu grande amor e misericórdia. A salvação é um presente imerecido. Como essa graça tem impactado nossa vida diária?


Comentário da Palavra Forte de Deus


A mensagem ganha um fôlego renovado ao encontrar o “Mas Deus” na Escritura: um Pai riquíssimo em misericórdia que decidiu vivificá-lo juntamente com Cristo. A graça divina revela-se como o braço forte do Senhor, que mergulha em seu caos para arrancá-lo da morte e inseri-lo em uma realidade totalmente nova. Portanto, há motivo de alegria no fato de que a única razão para sua existência espiritual hoje é esse amor imerecido.

Logo, essa mudança radical deve transbordar gratidão constante, visto que a redenção é um presente impossível de ser comprado ou conquistado por esforço humano. O favor divino constitui a intervenção que interrompeu sua queda e lhe conferiu uma nova identidade. Ao meditar nessa compaixão, cabe refletir: de que maneira essa ação poderosa tem moldado suas reações e prioridades no cotidiano?

Experimentar essa restauração assegura que as algemas do pecado foram destruídas. Atualmente, a vida do Criador habita em seu ser, tornando-o apto a vencer as inclinações da velha natureza e a desfrutar da liberdade dos filhos de Deus. Cada escolha pautada no reconhecimento funciona como um brado de triunfo, ratificando que sua caminhada agora responde a um novo Soberano.


3. A graça que nos faz produzir em Cristo (Ef 2.8-10).


Nos versículos 8 a 10, Paulo ensina que somos salvos pela graça, “mediante a fé”, e que isso não vem de nós mesmos, mas é um “dom de Deus”. Isso significa que Deus concede uma medida de sua graça para os incrédulos: a de crerem no Senhor Jesus mesmo que essa graça divina possa ser resistida (Hb 12.15).

É importante destacar que não são as obras que nos salvam, mas a graça de Deus, para que ninguém se glorie. O versículo 10 destaca que fomos “feitos para boas obras”, ou seja, a salvação nos prepara para viver em conformidade com a vontade de Deus. Assim sendo, a salvação não é um ponto final, mas o início de uma nova vida em Cristo.

Somos chamados para viver de maneira que reflita a transformação que a graça operou em nós. O cristão não é salvo pelas obras, mas é salvo para realizar boas obras. Como estamos vivendo em resposta a essa maravilhosa graça?


Comentário da Palavra Forte de Deus


A salvação ocorreu pela graça, mediante a fé, constituindo um dom de Deus para que ninguém, absolutamente ninguém, tenha do que se orgulhar. O Senhor concede ao ser humano a capacidade de crer e de responder ao Seu chamado, iniciando uma obra que não termina no dia do batismo. Portanto, a redenção não é um ponto final em sua história, mas o despertar de uma vida produtiva em Cristo.

O texto é claro: ninguém é salvo pelas obras, contudo, o resgate aconteceu para as obras. Isso significa que a transformação operada em seu interior precisa manifestar-se através do serviço, do amor e da obediência. Afinal, a graça que salva é a mesma que o habilita a produzir frutos que glorificam ao Pai.

Produzir em Cristo assegura que a sua regeneração é real e frutífera. Atualmente, a força de Deus o impulsiona a superar a passividade, tornando-o um agente de transformação no mundo. Cada boa ação realizada funciona como um brado de autonomia, confirmando que você serve a um Soberano compassivo e caminha segundo o propósito eterno.


SUBSÍDIO I


Professor(a), leia juntamente com os alunos Efésios 2.8-10. Depois explique que “o Novo Testamento enfatiza o tema da graça de Deus, por nos ter dado o seu Filho, Jesus, que de bom grado e voluntariamente deu a sua vida por pecadores que não mereciam esse seu ato. Hoje, os cristãos continuam a receber essa graça, pela presença e orientação do Espírito Santo.

O Espírito transmite a misericórdia, o perdão e a aceitação de Deus, e dá aos cristãos o desejo e a capacidade de fazer a vontade de Deus (Jo 3.16; 1Co 15.10; Fp 2.13; 1Tm 1.15,16). Todo o processo e progresso da vida cristã, do princípio ao fim, dependem dessa graça”. (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1527).


II – A GRAÇA DE DEUS E AS OBRAS


1. A graça de Deus: o favor imerecido.


A graça é amplamente compreendida como o favor imerecido de Deus, um favor concedido sem que o ser humano tenha feito algo para merecê-lo. O termo hebraico para “graça” é chen, que transmite a ideia de “favor” ou “benevolência”, especialmente um favor gratuito e imerecido (Gn 6.8).

No Antigo Testamento, chen muitas vezes denota a ação de Deus em favor de seu povo, mesmo quando não a merecem (como em Gênesis 6.8, quando Noé encontra “graça” diante do Senhor). No Novo Testamento, o termo grego para “graça” é charis, que é usado de forma semelhante, mas com uma ênfase mais profunda na salvação que vem de Deus.

Charis não apenas reflete um favor ou benefício, mas está ligada ao presente divino de salvação e perdão, e à capacitação que Deus concede para viver conforme sua vontade (como vemos em Ef 2.8,9). A graça de Deus, portanto, é uma ação de seu amor e misericórdia para com os pecadores, oferecendo a salvação não com base em méritos humanos, mas como um dom gratuito, disponível a todos os que creem.


Comentário da Palavra Forte de Deus


No Antigo Testamento, o termo chen já mostrava essa benevolência gratuita, como quando Noé encontrou favor diante do Senhor. No Novo Testamento, a palavra charis aprofunda esse conceito, revelando que a graça não é apenas um benefício, mas a própria força divina que oferece a você perdão, salvação e a capacidade de viver conforme a vontade do Pai (Ef 2.8,9).

Você precisa entender que essa graça é uma ação direta do amor de Deus, focada em resgatar você da sua condição de pecador. Ela ignora os seus supostos méritos humanos e se apresenta como um dom gratuito, disponível para você no momento em que decide crer. É esse favor que sustenta a sua caminhada, garantindo que a sua aceitação diante de Deus não dependa da sua performance, mas da perfeição e da misericórdia d’Ele.

A vida do Pai agora flui em seu interior, dando-lhe o vigor necessário para superar o que antes o prendia e o afastava de casa. Cada decisão de descansar nessa graça é uma declaração de liberdade, confirmando que o seu coração encontrou um novo Guia para a jornada. Não aceite uma existência sem propósito: você renasceu para brilhar e revelar o cuidado de Cristo em cada detalhe do seu dia!


2. Obras: o reflexo da Graça em nossas vidas.


No contexto bíblico, as obras não se referem a ações que garantem a salvação, mas são expressões externas do comportamento de uma vida transformada pela graça de Deus. O termo hebraico para “obras” é ma’aseh, que pode ser traduzido como “ação” ou “feito”, e é frequentemente associado à prática da lei, como nas obras exigidas pela Lei de Moisés.

No Novo Testamento, o termo grego mais comum para “obras” é ergon, que denota qualquer tipo de ação ou trabalho (Ef 2.9). No entanto, é importante distinguir entre as “obras da lei” e as “obras da graça”. As “obras da lei” são aquelas ações que os judeus realizavam para tentar cumprir a Lei de Moisés, buscando justificar-se diante de Deus por meio de seus próprios esforços, algo que, como Paulo explica em Efésios 2.8,9, não pode resultar em salvação, pois esta é alcançada unicamente pela graça de Deus.

Por outro lado, as “obras da graça” são aquelas que surgem como fruto da salvação que já recebemos por meio da graça. Essas obras são as evidências da transformação que a graça de Deus opera em nossas vidas. Como cristãos, devemos viver de maneira que nossas ações reflitam a mudança interna causada por essa graça. As boas obras não nos salvam, mas são a resposta a essa salvação.


Comentário da Palavra Forte de Deus


No contexto da sua fé, as obras não são degraus para você alcançar o céu, mas expressões externas de uma vida que já foi transformada pela graça. É fundamental que saiba distinguir entre as “obras da lei”, que eram tentativas frustradas de autojustificação por esforço próprio, e as “obras da graça”.

As suas ações são as evidências visíveis da mudança que o Espírito Santo operou no seu interior. Como cristão, você é convidado a viver de maneira que as suas escolhas reflitam essa nova natureza, tornando o invisível da graça em algo tangível para o mundo. Suas boas obras não salvam você, mas elas gritam ao mundo que você foi salvo, funcionando como a resposta natural e agradecida de um coração que foi amado primeiro.

A presença do Senhor em seu íntimo o habilita a vencer os antigos costumes e a conduzir-se com retidão em todos os setores da vida. Cada atitude digna que você demonstra é um brado de emancipação, validando que você faz parte de um Governo eterno e responde a um Soberano que renova o seu caráter. Você ressurgiu para irradiar a glória de Cristo em todos os momentos de sua jornada!


3. A salvação pela graça e a necessidade das boas obras.


A salvação pela graça não significa que as boas obras se tornem irrelevantes. Pelo contrário, Efésios 2.10 nos ensina que somos feitura de Deus, “criados em Cristo Jesus para boas obras”. Por isso, é importante destacar que o ensino da graça não enfraquece a prática das boas obras.

Pelo contrário, a graça é o que nos capacita a realizar essas obras de forma verdadeira e eficaz. O apóstolo Tiago, em sua Carta, nos lembra de que “a fé sem obras é morta” (Tg 2.26). Ele não está contradizendo Paulo, mas complementando-o, enfatizando que a fé verdadeira se manifesta em ações concretas.

Em outras palavras, as obras não nos salvam, mas a salvação que recebemos pela graça nos leva a viver de maneira transformada, cumprindo o propósito de Deus para nossas vidas. Assim, a graça de Deus nos chama não apenas para crer em Cristo, mas também para viver de forma prática, obedecendo aos seus mandamentos e servindo aos outros. As boas obras não são um fardo imposto pela Lei, mas o fruto espontâneo de uma vida redimida, capacitada pela graça para fazer o bem.


Comentário da Palavra Forte de Deus


A salvação pela graça nunca tornará as suas boas obras irrelevantes; pelo contrário, ela é o que dá sentido a elas. Você é feitura de Deus, criado em Cristo Jesus especificamente para realizar as obras que Ele planejou para a sua vida (Ef 2.10). A graça não enfraquece a sua prática do bem; ela é, na verdade, o combustível que capacita você a agir de forma verdadeira e eficaz, sem buscar glória para si mesmo, mas para o Senhor.

As obras não são um fardo imposto por uma lei pesada, mas o fruto que brota de uma vida redimida. Você é chamado não apenas para crer intelectualmente, mas para viver de forma prática, obedecendo aos mandamentos e servindo ao próximo com o amor que você mesmo recebeu da parte de Deus.

Assumir a importância das ações demonstra que o seu novo nascimento é ativo e transformador. A força do Altíssimo em seu ser o impulsiona a derrotar a inércia, tornando-o um promotor do bem na sociedade. Cada ato de auxílio que você presta é uma proclamação de independência, assegurando que você responde a um novo Soberano e realiza a missão para a qual foi planejado.


III. AS IMPLICAÇÕES DA GRAÇA NA VIDA CRISTÃ


1. Graça para amar.


A graça de Deus nos ensina a amar, não apenas aqueles que nos amam, mas também nossos inimigos. A verdadeira graça gera um amor incondicional, refletido em 1 João 4.19, onde aprendemos que “amamos porque ele nos amou primeiro”. A graça de Deus em nossas vidas nos capacita a amar como Cristo nos amou.

Nesse sentido, essa graça que recebemos deve transbordar em nosso comportamento, levando-nos a um amor genuíno pelos outros. Como a graça de Deus tem moldado nossa capacidade de amar, mesmo diante de desafios? Somos chamados a amar com a mesma graça com que fomos amados.


Comentário da Palavra Forte de Deus


A benevolência divina ensina você a amar de uma forma que o mundo desconhece: um afeto que alcança até mesmo quem não merece, incluindo os seus adversários. Essa força não brota do seu esforço, mas é uma reação ao fato de que o Criador o acolheu primeiro, quando você ainda estava distante d’Ele (1Jo 4.19).

Você é desafiado a permitir que esse favor transborde em sua conduta diária, convertendo a teoria do zelo em um compromisso real com o bem-estar alheio. Demonstrar esse amor significa decidir abençoar mesmo diante de oposições, atestando que a essência celestial em seu ser é superior a qualquer mágoa.

Experimentar esse amor confirma que os grilhões do egoísmo foram despedaçados. A essência do Pai flui em você, tornando-o apto a cuidar dos outros com a mesma medida com que foi amado. Cada decisão de agir com bondade é um brado de autonomia, ratificando que você serve a um novo Senhor.


2. Graça para perdoar.


Em Efésios 4.32, somos instruídos da seguinte maneira: “sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”. A graça nos capacita a nos tornarmos bondosos, no lugar de malignos; a ter compaixão pelos que vivem no engano e, por isso, perdoar, assim como fomos perdoados (Cl 3.13,14).

O perdão é uma resposta direta à graça recebida, pois, sem a graça de Deus, não seríamos capazes de perdoar de fato. Contudo, sabemos que perdoar não é fácil, mas a graça de Deus nos dá forças para libertar o outro e a nós mesmos da escravidão do ressentimento. Essa graça nos ensina a perdoar, não por mérito do ofensor, mas por causa do perdão que recebemos em Cristo.


Comentário da Palavra Forte de Deus


Absolver alguém pode parecer uma tarefa impossível para a moral humana, mas a graça fornece a você o vigor necessário para libertar quem o ofendeu. A instrução bíblica é nítida: você deve ser benigno e misericordioso, perdoando os outros exatamente da mesma forma que Deus o aceitou em Cristo (Ef 4.32).

Você precisa entender que a remissão não se baseia no mérito de quem o feriu, mas na autoridade do perdão que você já recebeu. Sem o auxílio divino, você permaneceria prisioneiro do rancor, mas o favor do Senhor o habilita a quebrar essas algemas e a desvencilhar tanto o ofensor quanto a si mesmo.

Exercer essa absolvição assegura que a sua identidade foi restaurada pela paz de Cristo. A graça do alto em seu íntimo permite que você triunfe sobre as mágoas do passado e avance sem o peso do rancor. Cada decisão de perdoar é um brado de vitória, comprovando que você faz parte de um Domínio eterno e responde a um Soberano que regenera o coração.


3. Graça para servir.


A graça de Deus também nos capacita a servir aos outros. Em Tito 2.11,12, o apóstolo nos mostra que essa graça nos educa para renunciar “à impiedade e às concupiscências mundanas” para que “vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente”. Dessa forma, a graça de Deus nos faz enxergar o serviço ao próximo não como uma obrigação, mas como uma expressão de gratidão e amor.

Então, servir aos outros é uma maneira de refletir a graça divina no mundo. Como podemos, em nossa vida diária, ser instrumentos de serviço e bênção para os outros, demonstrando a graça que recebemos? O cristão deve ser, assim como Cristo, um servo, e sua graça é demonstrada no serviço aos outros (Jo 13.1-15).


Comentário da Palavra Forte de Deus


O favor de Deus não apenas resgata você, mas também o educa a abandonar os desejos fúteis para que você habite de forma lúcida e justa nesta era (Tt 2.11,12). Ele altera a sua percepção sobre a dedicação ao próximo: o que antes parecia um fardo religioso, agora se torna uma manifestação espontânea de reconhecimento.

Você é convocado para seguir o exemplo de Jesus, que, sendo Soberano, assumiu a posição de servo para lavar os pés dos seus seguidores. A graça torna você capaz de enxergar as aflições alheias e a agir como um duto da bondade de Deus, comprovando que a sua fé é ativa e transformadora.

Dedicar-se ao serviço é a evidência de que a sua regeneração é dinâmica e cheia de significado. Agora, a potência de Deus em você o impulsiona a vencer a indiferença e a se tornar um reflexo do caráter de Cristo na sociedade. Cada gesto de amparo que você realiza é uma declaração de liberdade, assegurando que você serve a um novo Senhor.


SUBSÍDIO II


Professor, no decorrer deste tópico procure enfatizar que uma das implicações da graça na vida cristã é a graça para amar. “Amar o próximo não era um novo mandamento (veja Lv 19.18), mas amar os semelhantes, assim como Cristo os amou, era um mandamento revolucionário.

Agora devemos amar aos outros baseando-nos no amor sacrificial de Jesus por nós. Tal amor não apenas levará os incrédulos a Cristo; também manterá os cristãos fortes e unidos em um mundo que é hostil a Deus. Jesus foi um exemplo vivo do amor de Deus, e nós devemos ser exemplos vivos do amor de Jesus!” (Adaptado de Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p.1447).


CONCLUSÃO


A compreensão da graça de Deus não deve ser limitada a um evento isolado no passado, mas deve ser vivida e aplicada no cotidiano do cristão. A graça transforma nossa maneira de viver, de nos relacionarmos com Deus e com os outros. Ela nos capacita a perdoar, a amar e a servir, não por méritos próprios, mas como uma resposta ao imenso favor que recebemos de Deus. Portanto, a salvação pela graça é um chamado para uma vida nova, que reflete a misericórdia divina em todas as nossas ações.


Comentário da Palavra Forte de Deus


A compreensão do favor divino não deve ser restrita a um marco isolado no seu passado; ela precisa ser a atmosfera em que você respira e desenvolve o seu cotidiano. A graça é o que revoluciona a sua maneira de se relacionar com o Criador e com as pessoas ao seu redor, conferindo propósito a cada batida do seu coração.

Portanto, a sua salvação é um convite urgente para uma trajetória inteiramente nova, que externa a compaixão celestial em todas as suas atividades. Que a consciência desse dom guie seus pensamentos e sustente sua caminhada, recordando sempre que você foi resgatado para cumprir uma missão que transcende este mundo passageiro.

Agora, a presença de Deus habita plenamente em seu íntimo, tornando-o vitorioso sobre os desafios e refletindo a glória de Jesus em cada opção. Cada atitude sua baseada no amor é um brado de independência, ratificando que você serve a um novo Senhor. Não aceite menos do que o extraordinário: você renasceu para resplandecer e manifestar o poder do Pai em cada etapa da sua história!